Turismo com função social
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terça-feira, 11 de maio de 2004
Fernanda Bressan<br> Reportagem Local 
Experimentar uma cultura diferente dentro do próprio Brasil. A viagem proposta pelo Projeto Bagagem à Amazônia Ribeirinha, no Pará, inclui hospedagem em um barco, com redes no lugar de camas; comidas típicas da região, incluindo peixes como tucunaré e pirarucu; e vivência nas comunidades ribeirinhas, que vivem basicamente do extrativismo, artesanato e pesca. O projeto foi idealizado por Mônica Barroso e Cecilia Zanotti, que já estão programando a 5 expedição para o mês de junho e outra para julho.
Mônica explica que o projeto não tem fins lucrativos e atua em parceria com a organização não-governamental (ONG) Projeto Saúde e Alegria, de Santarém (PA). ''Nosso objetivo é promover o turismo comunitário para contribuir com o desenvolvimento local sustentável'', explica. Formadas em adminsitração de empresas, Mônica e Cecília resolveram desenvolver o projeto na Amazônia. Mônica conta que fez um trabalho voluntário para a ONG Projeto Saúde e Alegria e propôs à Cecília que o local fosse o escolhido para o começo do projeto. Ela já conhecia as comunidades, o que facilitou o contato. Mônica informou ainda que nesse semestre o Projeto Bagagem deve se tornar uma ONG.
A viagem à Amazônia Ribeirinha dura nove dias, todos eles passados dentro de um barco fretado pelo grupo. O custo é de R$ 980 por pessoa, incluindo hospedagem, alimentação, transporte terrestre e fluvial, contribuição para as comunidades e seguro viagem. O transporte aéreo não está incluso. Mônica acrescenta que em algumas comunidades há a possibilidade de se dormir em terra, em casas de famílias.
O intercâmbio cultural acontece em mão dupla. De um lado, as comunidades da Amazônia mostram sua dança, música e trabalhos manuais. Em contrapartida, Mônica recorda que em todas as viagens realizadas até agora foram feitas várias apresentações como de balé, sapateado, violão e flauta, por iniciativa dos próprios ''turistas''. A última, ocorrida em janeiro, teve a participação de 14 ''aventureiros''.
O itinerário passa por quatro comunidades beneficiadas pela ONG local: Jamaraquá, Maguary, Urucureá e Suruacá que ficam às margens dos rios Tapajós e Arapiuns. Nesses locais, é possível fazer trilha na mata, passeios a praias de água doce e visitas a vilarejos de pescadores. Até agora, essas comunidades receberam R$ 5,8 mil referentes às contribuições de cada viagem e venda de artesanato. Mônica ressalta que a maioria dos lugares é de difícil acesso, muitos até seriam impossíveis de serem conhecidos sem a mediação do grupo e da ONG.
Apesar de não serem o principal atrativo da expedição, os animais também enchem os olhos dos turistas. Há botos, tucanos e macacos espalhados na floresta. O roteiro contempla também visita à Floresta Nacional do Tapajós.
Para tornar viável a expedição, o grupo precisa ter entre 12 e 20 pessoas. As inscrições para a viagem, programada para 5 a 13 de junho, devem ser feitas pelo site www.projetobagagem.org. É preciso encaminhar um e-mail até o próximo dia 28. Quem quiser mais informações sobre a ONG de Santarém é só acessar www.saudeealegria.org.br.


