‘‘Socorro, onde ainda se vive.’’
A mensagem de boas vindas no portal de entrada da pequena cidade acolhe aventureiros e ecoturistas que chegam abarrotados de equipamentos em seus empoeirados carros: capacetes, cordas, remos, mochilas, bicicletas. Abençoada pela santa padroeira, Nossa Senhora do Socorro, a cidade esconde-se num dos braços da Serra da Mantiqueira, na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais.
É exatamente por contar com o relevo irregular e com a graça do límpido Rio do Peixe que corta o município (limpo apenas no trecho que compreende a nascente até a cidade), a aventura ganha em diversidade e adrenalina: em um fim de semana prolongado, pode-se participar da ecológica cavalgada nas trilhas do Hotel Fazenda Campo dos Sonhos, radicalizar na emocionante descida no rio de acqua ride ou rafting, encarar a lama e deslumbrar-se com as paisagens serranas a bordo de mountain bikes, jipes ou motos enduro, desbravar as nuvens de Socorro, percorrendo os 60 km até Atibaia, de asa delta e parapente e, ainda, realizar o imperdível trekking entre a exuberante floresta que cerca a cidade, surpreendendo-se com as belas cachoeiras encontradas pelo caminho.
O vôo livre da região, que compreende as estâncias de Socorro, Águas de Lindóia, Amparo e Serra Negra, é praticado por 50 voadores. Em 1983, um grupo de socorrenses visitou o Rio de Janeiro e se vislumbrou com a prática de asa delta nas praias cariocas. O pioneiro, Edvarso Leite, 42 anos, hoje, presidente do Clube de Vôo Livre das Estâncias, conta que o início foi sofrido: com o livro do alemão Fritz Meyer, homem que introduziu o vôo livre no Brasil, e equipamentos rudimentares em mãos eles começaram a arriscar as primeiras decolagens.
Hoje as rampas de Socorro estão nos picos Cascavel e Varginha, ambos com 450 metros de desnível, e o grande desafio é conseguir chegar até Atibaia, a 60 quilômetros, e comemorar o feito com os colegas voadores locais, com uma boa cervejada.
Do ar para às águas. Seis estâncias, Socorro, Amparo, Serra Negra, Lindóia, Águas de Lindóia e Monte Alegre do Sul, formam o Circuito das Águas Paulista. Toda a região é agraciada por fontes medicinais, a alta radioatividade da água possui propriedades terapêuticas para doenças renais, diabetes e de pele. E é pelo grande volume dos rios que o rafting, bóia cross, acqua ride vem sendo explorado em trechos radicais e de remansos (trechos calmos), no Rio do Peixe, em Socorro. Vale o alerta: reserve o seu lugar com antecedência nos feriados. As descidas são controladas e limitadas. ‘‘Queremos garantir o ecoturismo responsável, por várias gerações’’, ressalta Rogério Bazani, proprietário do Centro de Lazer Nascentes Rio do Peixe.
‘‘Afrouxa a rédea, cutuca a barriga... Simbora!’’, comanda o guia da cavalgada Edmilson, 31 anos, paranaense de Alto Paraná. O calmo, ou também galopante, passeio a cavalo entre as várias trilhas do Hotel Fazenda Campo dos Sonhos é uma das atividades mas procuradas pelos ecoturistas que visitam Socorro. Realmente é imperdível: as paisagens de campos e serras, mineiras e paulistas, encantam, lavam a alma. Rebanhos de bovinos podem ser admirados, bem pertinho, como também corridos no melhor estilo gaúcho.
O pequeno Jefferson, 10, filho de Edmilson, revela, com seu sotaque carregado de erres, que o cavalo é seu melhor amigo. ‘‘É o que mais gosto de fazer. Galopo, ando devagar, faço ele deitar, curo ele’’, explica, faceiro. Entre a escola os deveres de casa, sempre arranja um tempo para cavalgar. Além de ser um promissor guia, já supervisiona os todos os cavalos da fazenda.
O engenheiro agrônomo, José Fernandes, proprietário do hotel, lidera aulas de educação ambiental para a família e escolas. ‘‘Aqui a criançada aprende sobre a importância da mata ciliar, da água. Contamos com mil espécies de plantas nativas da Mata Atlântica, identificadas por placas em toda a fazenda.’’ Pedalinhos, trilhas ecológicas, convívio com animais e aves, colher verduras da horta orgânica garantem o entretenimento e aprendizado de toda a família.
O trekking nas serras de Socorro está intimamente associado ao canyoning. Ao caminhar entre a bela mata nativa, rios, cachoeiras e piscinas naturais convidam os aventureiros à exploração. O cascading (rapel em cachoeira) dos Machados se destaca pelos seus 80 metros de altura, mexendo até com os mais experientes atletas. Socorro é muito procurada como local de treino por competidores de esportes de aventura.
Para os jipeiros, as redondezas da cidade escondem trilhas com os típicos temperos do mundo 4 x 4: lama, troncos, pedras, subidas, descidas e paisagens de cair o queixo! Como a do pico Cascavel, rampa de vôo livre, com 1.230 metros de altitude. Na trilha do Limoeiro as cachoeiras roubam a cena. São quatro imponentes quedas, e outras menores, chamando para o mergulho e contemplação.
Vale a consulta ao Jipe Clube de Socorro. As trilhas passam por várias propriedades particulares. Acompanhados pelos guias locais, a aventura se enriquece com os novos amigos, que de quebra conhecem as melhores (ou piores) estradas, e ainda têm passe livre por toda a região, resguardando os visitantes de indesejáveis imprevistos. Lembre-se: feche todas as porteiras que passar.

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