Havana - Diversificação. É essa a nova palavra de ordem para o desenvolvimento de Cuba como destino turístico. Em 1990, a maior ilha do Caribe recebeu meros 340 mil visitantes estrangeiros e oferecia 12.900 acomodações. No ano passado, essa cifra atingiu quase 1,7 milhão, e a oferta hoteleira chegou a 40 mil apartamentos, em unidades de redes como a espanhola Meliá e a alemã LTI. De fato, um boom no setor que é reconhecido como a ''mina de ouro'' do país de Fidel e que se mantém com toda força.
''Estamos trabalhando em um processo coerente de diversificação de destinos'', adiantou o ministro de Turismo Ibraim Ferradaz durante a Convenção de Turismo de Cuba, realizada no final de maio, no balneário de Varadero e da qual participaram 2.362 representantes de mais de 60 países. A capital, Havana, e Varadero (a chamada ''Cancún cubana'') são os primeiros locais que vêm à cabeça de quem pensa em viajar a Cuba. No ranking de turistas que mais os visitam, lideram canadenses, italianos, franceses, alemães e espanhóis, nessa ordem. Cuba, entretanto, tem mais, muito mais.
''Vemos potencial para trabalhar o turismo de lua-de-mel, o de terceira idade, o cultural, do qual nos sentimos orgulhosos, e o ecoturismo'', adiantou Ferradaz. No quesito natureza, por exemplo, o país esconde preciosidades como o Valle de ViÀales, com numerosas grutas. A zona geológica fica em meio à província de Pinar del Río (oeste da ilha), famosa por sua tradição no cultivo do tabaco.
A rota do descobrimento - Mas a maior aposta do Ministério de Turismo de Cuba chama-se Holguín (no leste do país, a uma hora e meia de vôo da capital), província apontada como o terceiro pólo turístico na ilha e o de maior crescimento em 2002. Lá, além do turismo de ''sol e mar'' são mais de 40 praias , há o chamariz histórico. Trata-se da terra natal de Fidel Castro e do primeiro local da ilha alcançado pelo navegador Cristóvão Colombo. Sem esquecer de seu rico acervo referente aos índios que habitavam a ilha até a chegada dos espanhóis. Um roteiro do descobrimento, digamos.
A boa nova ali é o recém-inaugurado cinco-estrelas Playa Pesquero, o maior hotel de Cuba. São 944 apartamentos, três piscinas e sete restaurantes, entre outras facilidades. Destaque para um passeio de gôndola à moda de Veneza. Tudo isso administrado pelo grupo nacional Gaviota.
''Há o apelo de ser um produto 100% cubano. E o lugar junta a beleza de praia de Varadero e todos os opcionais históricos que pode ter Cuba'', disse Thais Eugênio, diretora da Galasio Turismo. A operadora brasileira, que já tem pacotes para o Playa Pesquero, faz parte do pool criado no início de 2002 para promover e vender a ilha de Fidel ao turista tupiniquim.
O primeiro ano de ações no Brasil iniciativa do Ministério de Turismo de Cuba, com essas operadoras e as companhias aéreas Copa e Cubana representou investimentos de US$ 200 mil. Oito operadoras participaram do pool. Hoje são 12. ''Já tivemos pedidos para Cuba por conta da novela da Globo, Kubanacan'', disse, entusiasmada, a diretora de produto da CVC, Bárbara M. Piccolo.
Segundo ela, o destino tem grande potencial no mercado. Para este ano, espera incrementar as vendas em 30% em relação a 2002. Bárbara destaca a qualidade da hotelaria na ilha, a identificação do povo com o brasileiro (e vice-versa) e os circuitos de uma semana um deles dedica-se ao charuto e ao café. Cuba recebeu em torno de 7 mil turistas do Brasil no ano passado, e a expectativa para 2003 é de acolher mais. Atrativos para isso não faltam.

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