Turbantes e balangandãs
O Brasil silenciou, chocado, naquele 5 de agosto de 1955, quando Eron Domingues interrompeu a programação da Rádio Nacional para uma notícia extra do Repórter Esso: Carmen Miranda morrera em sua casa, nos Estados Unidos, aos 46 anos de idade. Dias depois, a cidade do Rio de Janeiro presenciaria o maior enterro de sua história. O País foi estraçalhado em sua alegria com o desaparecimento da cantora.
Assim como Carlos Gardel não era argentino, mas personificou o tango em sua arte, também Carmen Miranda não era brasileira, mas quando viajou aos Estados Unidos e transformou-se no grande sucesso de Hollywood, foi as cores do Brasil que ela levou na bagagem.
Nascida a 9 de fevereiro de 1909, em Marco de Canavezes, província portuguesa, Maria do Carmo Miranda da Cunha chegou ao novo País ainda bebê. Tinha apenas dez meses. O pai, barbeiro, reuniu as economias, juntou mulher e seis filhos e veio tentar a vida em novas terras, mais precisamente no Rio. Fixou-se na Lapa.
Maria do Carmo foi trabalhar aos 15 anos como balconista e mais tarde, por conta própria, começou a confeccionar chapéus femininos, com arte e originalidade. Seu sonho era ser cantora; na tentativa de encontrar um caminho que a levasse ao sucesso, passou a se apresentar em festas beneficentes. O violinista e compositor baiano Josué de Barros apadrinhou-a: financiou aulas de canto e dicção, levou-a às rádios e gravadoras importantes da época.
O primeiro disco saiu pela RCA Victor, mas a importância capital da gravação na vida de Carmen foi ter sido ouvida pelo compositor Joubert de Carvalho. Este apaixonou-se pela interpretação segura da moça. Então, ele compôs Pra Você Gostar de Mim, que seria batizada pelo público como Taí. A marchinha obteve extraordinário sucesso naquele ano de 1930: vendeu a astronômica cifra de 36 mil cópias.
De pouca estatura pouco mais de um metro e meio de altura a Pequena Notável se equilibrava em sandálias de plataformas altíssimas, vestida de baiana. Assim fez sua estréia em Nova York. Brilhar em Hollywood foi um passo natural. As mulheres copiavam suas criações aliás, o estilo Carmen Miranda vai e volta, de forma sazonal , os filmes que estrelava eram grandes sucessos.
Voltou ao Brasil em 1940 para curta temporada de shows, mas foi recebida com frieza, acusada de ter-se tornado americanizada. Magoada, a artista entrou em depressão; essa dor iria acompanhá-la ao túmulo, 15 anos depois.
Atuou em 14 filmes da 20th Century-Fox, United Artists, Metro e Paramount. Saudada como Brazilian Bombshell, fez enorme sucesso na Inglaterra; correu a Europa de ponta a ponta com a indumentária da baiana. Porém, Carmen Miranda nunca mais cantou no Brasil. Por ironia, a música de sua consagração, Taí, pairava sobre a multidão calculada em 1 milhão de pessoas segundo os jornais da época , que fez do enterro o seu maior espetáculo.





