Tunus toca a música popular da América
TUNUS TOCA A MÚSICA
POPULAR DA AMÉRICA
O grupo curitibano Tunus interpreta, em espetáculo instrumental, canções que vão do jazz de Gershwin à bossa-nova de Tom Jobim
Elisa Marilia Carneiro
O programa Terça Brasileira no Paiol, promovido pela Fundação Cultural de Curitiba, apresenta hoje, no Teatro do Paiol, às 21 horas, o Grupo Tunus - nome que significa som, em Latin. Os músicos mostram, através das canções, a influência do jazz americano na bossa-nova. O repertório inclui composições de George Gershwin, Tom Jobim, Edu Lobo, Baden Powel, Vinícius de Morais e Carlos Lyra. Dia 25 de maio, às 20h30, o show será levado ao auditório do Clube Curitibano.
Com um show exclusivamente instrumental, o grupo faz um passeio pela história da MPB. Os acordes de Gershwin de jazz americano aplicados ao ritmo do samba resultaram no que conhecemos como bossa nova. Segundo Marco Aurélio Koentopp (flauta transversa), dessa miscelânea surgiu a bossa nova, na década de 60, e que nos Estados Unidos ficou muito conhecida.
De Gershwin serão tocadas Summertime, It Aint Necessarily So, I Got Plenty of Nutting, entre outras. Estrada do Sol, Samba do Avião, Wave e Desafinado estão no rol das músicas de Tom Jobim que expressam essa combinação de ritmos.
Marco Aurélio conta que os músicos do Tunus começaram a tocar juntos em 1994 e em 98 percorreram 20 universidades estaduais no Paraná fazendo shows em comemoração ao centenário de nascimento de Gershwin. A partir desse estudo, montamos o repertório que apresentamos hoje.
Gershwin tem importância fundamental na história do jazz. Marco Aurélio lembra que ele foi o responsável pela união de elementos do jazz popular das ruas de New Orleans com a música erudita, criando um novo estilo de música, o Jazz Sinfônico. A partir daí, a sociedade musical norte-americana e mundial passou a olhar o jazz com outros olhos e o ritmo influenciou compositores como Maurice Ravel e Claude Debussy.
No Brasil, na década de 50, os jovens da zona sul do Rio de Janeiro, influenciados por esse estilo, começaram a se reunir para tocar e cantar. Suas composições revelavam um caráter intimista e acordes semelhantes aos de alguns músicos de jazz. Em 1958, João Gilberto gravaria seu primeiro disco, com composições suas, de Tom Jobim e de Vinicius de Morais. Nascia então a bossa nova.
Com o sucesso do disco de João Gilberto e a gravação de seu primeiro LP, em 1959, o núcleo de músicos recebeu mais adesões. Carlos Lyra, Roberto Menescal, Ronaldo Boscoli, Nara Leão, Luís Eça, Silvia Teles e Alaíde Costa, entre outros, passaram a se apresentar nos shows conhecidos como Festival de Samba Moderno ou Samba Session, ou ainda Comando da Operação Bossa Nova. O movimento ganhou força e reconhecimento nacional.
Em 1962 foi realizado o primeiro Festival de Bossa Nova, no Carnegie Hall, em Nova York. O show despertou grande interesse dos músicos de jazz, tornando a bossa nova conhecida mundialmente. Wave e Desafinados conquistaram o público e se transformaram em ícones de um estilo musical marcado pela criatividade e inventividade do jazz e da MPB.
Infelizmente, hoje os grupos que tocam bossa nova não fazem mais sucesso no Brasil. O que está em voga é o corpo, não a música. A Leila Pinheiro ainda consegue atrair com a bossa nova, mas o Quinteto Violado, não existe mais e o Grupo Pau-Brasil, só faz sucesso fora do País. Nós estamos nadando contra a maré, mas acreditamos na boa música, diz Marco Aurélio.
O Grupo Tunes é formado por Marco Aurélio Koentopp (flauta transversa), Juarez Bergmann Filho e Marcelo Leoni (violino), Guilherme Romanelli (viola), Marcos Pimentel de Carvalho (violoncelo) e Johny Dionysio (percussão).
Show como Grupo Tunus, no programa Terça Brasileira no Paiol, hoje, às 21 horas. Ingressos a R$ 5,00. Dia 25 de maio, às 20h30, no auditório do Clube Curitibano,





