Tunísia parabeniza Kechiche por Palma de Ouro
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
Folhapress 
São Paulo - O ministro da Cultura da Tunísia parabenizou ontem o diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche pela conquista da Palma de Ouro, no domingo, com "La Vie d'Adèle". Porém, não entrou no mérito da paixão homossexual retratada no filme -o tema é tabu no mundo árabe.
"O ministro da Cultura [Mehdi Mabrouk] parabenizou o diretor Abdellatif Kechiche por este reconhecimento internacional, desejando-lhe sucesso no mundo do cinema", anunciou o ministério.
A declaração, no entanto, não mencionou o tema do filme, que narra a paixão ardente entre duas mulheres. O ministério também não deu nenhuma indicação quanto a um possível lançamento do filme na Tunísia, cujo governo é liderado pelo movimento islamita Ennahda.
Desde a revolução em janeiro de 2011, várias obras, exposições e festivais têm sido alvos de protestos - às vezes, violentos - do movimento islâmico radical, que registra um crescimento significativo desde a queda do regime de Zine El Abidine Ben Ali.
Em outubro, a exibição do filme franco-iraniano "Persépolis" pelo canal privado Nessma TV provocou uma onda de violência entre os radicais islâmicos. O diretor do canal de televisão foi multado por "atentado à moralidade", já que o filme contém uma cena em que mostra Deus - a representação divina é proibida pelo Islã.
Ao receber a Palma de Ouro, Kechiche dedicou o filme "a esta bela juventude da França, que me ensinou muito sobre o espírito de liberdade", bem como "outros jovens da revolução tunisina por sua aspiração a viver e amar livremente".
"É uma bela história, um belo amor, com o qual todos podem se identificar, independentemente da sexualidade", declarou o diretor americano Steven Spielberg, presidente do júri em Cannes. A homossexualidade em si não é proibida pela lei na Tunísia, mas a sodomia é punida com três anos de prisão.
Vencedores do 66º Festival de Cannes
Palma de Ouro
"La Vie d'Adèle", de Abdellatif Kechiche
Gran Prix
"Inside Llewin Davis", de Ethan e Joel Coen (EUA)
Diretor
Amat Escalante, por "Heli" (México)
Prêmio do Júri
"Like Father, Like Son", de Hirokazu Kore-Eda (Japão)
Roteiro
Jia Zhangke, por "Tian zhu Ding" ("Um Toque de Maldade") (China)
Ator
Bruce Dern, por "Nebraska"
Atriz
Bérenice Bejo, por "Le Passé"
Caméra D'Or
"Ilo Ilo", de Anthony Chen (Singapura)
Curta-metragem
"Safe", Moon Byoung-Gon (Coreia do Sul)


