Está em cartaz há duas semanas, em Nova York, o documentário ‘‘Tributo a Borges’’, realizado pelo jornalista argentino Patricio Lóizaga e pela cineasta Vanessa Ragone. O filme acompanha a mostra fotográfica homônima, que em 98 levou 70 mil pessoas ao Museu de Belas Artes de Buenos Aires e em dezembro esteve em Madri. Nela, Borges é retratado por fotógrafos como Diane Arbus, Richard Avedon, Sara Facio, entre outros.
Elaborado para a TV e com 45 minutos de duração, o filme reúne diversos testemunhos sobre o mais importante escritor argentino deste século. Os realizadores da obra dizem que o filme procurou fugir ao relato biográfico, constituindo-se simplesmente numa homenagem intelectual àquele que foi referência constante - e talvez a figura central - da cultura argentina nas últimas décadas.
Um dos fios condutores do documentário é a eterna questão (um tanto bizantina) sobre se Jorge Luis Borges teria sido melhor narrador ou poeta. O filme é também um passeio pelas cidades que de algum modo se relacionam com o escritor: Buenos Aires, Madri, Nova York e Genebra - cidade suíça onde Borges está enterrado. Entre os depoimentos constam, além dos da viúva de Borges, María Kodama, os da ensaísta Beatriz Sarlo e os do biógrafo Horacio Salas. Sobre o autor de ‘‘Ficções’’, exprime Beatriz Sarlo: ‘‘Borges narrador é algo que não se poderia perder. Para mim seria difícil dizer o mesmo sobre sua poesia.’’ReproduçãoFilme sobre Jorge Luis Borges suscita a eterna questão: ele foi melhor como escritor ou como poeta?Maurício Santana Dias
Agência Folha

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