Nelson Sato
De Londrina
Todo autor de ‘‘guias musicais’’ ambiciona torná-los obras de referência. O livro Sete Noites com os Clássicos, que o crítico carioca Luiz Paulo Horta está lançando nesta temporada, parece movido pela mesma pretensão – apesar de seu formato modesto, quase de bolso.
O livro, didático e panorâmico, tem pouco mais de 120 páginas. Conduz os leitores ao universo da música de concerto dedicando cada capítulo a cada um dos sete grandes estilos, que o autor divide em Renascença, Barroco, Classicismo, Beethoven, Romantismo, Impressionismo e Modernismo.
‘‘Os estilos musicais são como seres vivos: em determinado momento começam a existir, a partir de algumas sementes. Crescem, atingem o apogeu, e depois são substituídos por outros, quando sua seiva começa a enfraquecer’’ – escreve ele no texto introdutório. Beethoven ganha destaque especial, recebendo um capítulo à parte.
Horta lembra que o compositor é um caso único na história da música tendo superado as escolas com uma expressão pessoal. ‘‘Os últimos quartetos de Beethoven prepararam o público para o últimos quartetos de Beethoven’’, notou Proust, citado no livro.
Para cada estilo, o volume traz uma descrição geral, a análise de uma obra-modelo, sugestões para audições complementares, menções a outras formas musicais que marcaram a época, cronologia com os fatos musicais mais significativos e o esboço biográfico de um compositor representativo do período examinado.
Neste último tópico, nem sempre o compositor escolhido será o maior gênio do estilo, mas um nome capaz de ombrear em importância. É o caso de Vivaldi, no Barroco; e de Haydn, no Classicismo. Sobre o primeiro, um trecho assinala que com ele, ‘‘os violinos que vêm de Cremona e de outras oficinas italianas passam a cantar com a força expressiva da voz humana’’, gestando assim o concerto para solista, que ia ser praticado por Mozart, Beethoven, Chopin, Brahms, Prokofiev.
Sobre Haydn, enfatiza-se o fato de que o compositor teria inventado os gêneros que ainda hoje fornecem a espinha dorsal da música de concerto. ‘‘É em suas mãos que a sinfonia deixa de ser uma amável peça instrumental para tornar-se o momento principal de um programa’’, diz uma passagem.
Os perfis biográficos se completam com Palestrina na Renascença, Schumann no Romantismo, Debussy no Impressionismo e Stravinsky no Modernismo. Entre as peças analisadas figuram ‘‘As Quatro Estações’’, ‘‘Prelúdios para Piano e Hommage à Rameau’’ e ‘‘Sagração da Primavera’’.
Remetendo ao título do livro, Horta observa que se o leitor quiser poderá fazer a viagem em uma semana, ‘‘mas se levar uma semana em cada estilo, terá mais proveito – e mais prazer’’. Sete Noites com os Clássicos está chegando ao leitores pela Jorge Zahar, a mesma editora que lançou recentemente um guia de MPB, do também crítico Antônio Carlos Miguel.
Luiz Paulo Horta escreve no jornal O Globo. É autor ainda de Música Clássica em CD, Villa-Lobos e A Música das Esferas.Chega às livrarias guia que ensina o leitor a reconhecer estilos musicais desde a Renascença até o Modernismo
ReproduçãoBeethoven merece capítulo especial no livro como o único compositor que superou as escolas de música com sua expressão pessoalReproduçãoCom Vivaldi, segundo o autor do livro, ‘‘os violinos começam a cantar com a expressão de voz humana’’ReproduçãoStravinsky: compositor russo naturalizado francês é citado como o nome modernista mais importante da música de concerto

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