Depois de se fixar com sucesso no emaranhado de cantinas italianas em São Paulo, a Mangiare Felice instalou-se em Curitiba, no Alto da Glória, há sete anos, e lá continua até hoje. Porém, atendendo aos constantes pedidos dos fregueses, abriu recentemente uma pizzaria no Centro Cívico, segundo explica Carlos Cespedes, um dos proprietários da casa. Mantendo as características da cantina, também a pizzaria está aberta às sugestões da clientela. A pessoa olha o cardápio, não se afina com alguns dos ingredientes e pede que sejam substituídos. Ou inventa uma receita nova. Eles fazem.
Carlos Cespedes tem uma história de vida ligada à gastronomia. Aos 14 anos entrou nesse universo como faxineiro. Trabalhou na copa, foi forneiro, chegou a gerente na conceituada Micheluccio, nos anos 70. Mas o início de tudo foi na Pizzaria Paulino, ‘‘o grande sucesso da época em São Paulo’’, relembra. Por algum tempo foi sócio em outro restaurante paulistano, antes de associar-se a um grupo que criou o Mangiare Felice. ‘‘A minha profissão sempre foi um degrau, até chegar onde cheguei. Fui galgando degraus’’, conta.
Ele concorda que vender pizza com a assinatura do restaurante ajuda bastante, especialmente para um público que deseja, antes de tudo, qualidade. ‘‘Sem desmerecer as demais pizzarias, nós estamos entre as melhores da cidade’’, afirma. No patamar das melhores, o empresário acredita que não passem de quatro endereços. Conhecedor do público de São Paulo e Curitiba o empresário afirma que o curitibano ‘‘tem um gosto muito refinado, gosta de bom serviço. O paulista é mais acomodado, passa por cima de muitas coisas. É mais tranquilo trabalhar em São Paulo. Aqui temos de manter postura, disciplina, senão o cliente vai para outro lugar’’. Uma descoberta recente sobre o curitibano: ele gosta de massa fininha, crocante – por causa disso o pizzaiolo foi trocado e o mais novo passou por um treinamento para deixar a massa no ponto certo.
Entre as 43 variedades de pizzas do cardápio, tem novidades como a vegetariana, feita com fundos de alcachofra, azeitonas verdes sem caroço e palmito, cobertos com muzzarela. Também tem a pizza de peru, a de strogonoff (com tudo a que se tem direito: mignon picadinho, champignon, molho rosado flambado com conhaque e batata palha por cima); a de picanha defumada (muzzarela, picanha defumada, palmito, rúcula fresca).
Os pratos doces vieram por sugestão dos clientes. ‘‘Não são criações nossas, mas aperfeiçoamos a receita’’, observa Cespedes. Tem as de Chocolate com Frutas (uvas passas, nozes e ameixa); Prestígio (chocolate e coco ralado) e as tradicionais Banana Caramelizada e Califórnia. Apesar do brasileiro ser um apaixonado por pizza, a casa mantém o serviço de cantina para aqueles que vêm na contramão e querem outro prato.

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