Com ''Cidade de Deus'', Fernando Meirelles entrou definitivamente no rol dos grandes diretores brasileiros. Seu filme teve quatro indicações ao Oscar (em 2004), incluindo a de melhor diretor. Também foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e ganhou o Bafta de melhor edição. Ao todo, em festivais pelo mundo, foram mais de 50 prêmios. Sobre os dez anos de ''Cidade de Deus'', Meirelles conversou com a reportagem. Confira:

Na sua opinião, ''Cidade de Deus'' cimentou no exterior uma imagem de Brasil violento?
Seria muita pretensão minha achar que este filme conseguiu chegar tão longe. O que cimentou a imagem de um Brasil violento foram as centenas de homicídios diários que acontecem no País.
Qual é a importância do filme para o cinema nacional?
Ao abordar um tema urgente ainda não explorado no cinema e fazer sucesso de público, creio que o filme incentivou outros diretores a contar outras histórias do mesmo universo. Mas não acho que ''Cidade de Deus'' tenha sido visionário ou inventado algo novo.
''Cidade de Deus'' inaugurou uma nova maneira de fazer cinema no Brasil?
Não há nada de realmente novo. Tudo ali já havia sido feito antes, só que cada aspecto do filme é muito bem realizado, o que ajudou a boa recepção do filme.
Foi graças a ''Cidade de Deus'' que filmes como ''Tropa de Elite'' puderam ser feitos?
Seria um exagero dizer, mas, sem dúvida, ''Tropa'' soube aproveitar a experiência de ''Cidade de Deus''. A equipe principal do filme, roteirista, montador, fotógrafo e diretor de arte, estavam em ''Cidade de Deus'', assim como ''Cidade'' também aproveitou muitas ideias de filmes que vi durante minha vida. Tudo se recicla. (F.B.C. e M.R.S/AE)

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