Não, não precisa sair correndo para comprar tudo o que for rosa. A cor está sim ''na moda'' e aparece pontuando os desfiles do primeiro dia da São Paulo Fashion Week (SPFW). Mas o rosa também é estrela nos corredores e salas do prédio da Fundação Bienal porque o maior evento de moda do País está em sua décima quinta edição e decidiu celebrar em clima de festa de debutante.
As vinhetas que abrem os desfiles têm valsas clássicas como trilha sonora. Nas paredes, só fotografias dos jornalistas especializados na tenra idade dos 15 anos. Até mesmo os convites e os crachás são rosinha. E para aguentar os seis dias de evento, os 46 desfiles, as incontáveis entrevistas, só mesmo com fôlego de menina. No primeiro dia, boas doses de paciência também foram exigidas, já que, ao contrário das últimas edições pontualíssimas, tudo pareceu estar atrasado. Mas, como no primeiro dia de aula, tudo tem cara de festa mesmo.
E no baile de debutante, o par da garota para a valsa é uma escolha criteriosa. Ricardo Almeida apresenta homens descolados, ao som de Coldplay, mesmo quando estão vestidos de ternos em risca-de-giz, em cinza e branco. Para combinar com a casualidade proposta, as jaquetas e camisetas não têm acabamento. As bermudas completam o visual proposto pelo estilista do presidente Lula. Será que ele também vai adotar as novidades no verão 2004?
Para Gisele Bundchen, a grande virada de sua vida aconteceu entre os 14 e 15 anos. Foi quando se descobriu modelo e deixou o Rio Grande do Sul para ganhar o mundo. De volta ao Brasil, o frisson é sempre o mesmo. Mas, acreditem se quiser, a platéia foi um tanto quanto fria quando a beldade entrou na passarela da Cia. Marítima de shorts de oncinha. Claro que tudo mudou quando ela resolveu tirar a micro-saia atoalhada.
Aliás, é o tecido-toalha uma das vedetes do verão, ao lado do acrílico. A Cia. Marítima aposta nos dois materiais, com destaque para os braceletes de gatinhos e flores. Estampas psicodélicas dão conta de animar as modelagens clássicas. A novidade é que a mesma influência das cuecas nas calcinhas também chega (ainda tímida) nos biquínis.
Ainda faltam dois anos para Pedro Lourenço completar 15 anos e ele já está na segunda edição da São Paulo Fashion Week. Ser filho de Glória Coelho e Reinaldo Lourenço, claro, ajudou. Mas o estilista mirim faz o dever de casa direitinho, talvez um pouco cedo demais. No desfile da Carlota Joakina, Pedro mostra sua inspiração na esgrima, nos marinheiros, Madonna e até em aviões supersônicos (isso explica as amarrações especiais).
E o vestido do baile? Não precisa ser longo, mas se tiver um volume na saia, muito melhor. A Cori, que há dois anos têm Alexandre Herchcovitch como diretor de estilo, encanta com as suas saias de camadas. Para uma valsa moderna, nada melhor. Os primeiros vestidos e macaquinhos são em tecidos atoalhados, que, como em toda coleção, chegam cheios de cores fortes.
E como seria a festa no interior de Minas Gerais? ''Roupa de Domingo'' pra todo mundo. Com Costela de Adão, Ronaldo Fraga apresenta silhuetas mais enxutas e simples, deixando os volumes de outrora para as crianças. Na segunda-feira, Fraga mostrou pela primeira vez a grife Ronaldo Fraga para Filhotes. Já é redundância falar que os desfiles do mineiro são sempre surpreendentes e emocionantes. Mas como não suspirar com as crianças na passarela de barro? Até mesmo o pimpolho Ludovico, de um ano e meio, apareceu logo após o desfile adulto.
Para o verão, Ronaldo Fraga olhou para o Vale do Jequitinhonha, famoso por suas cerâmicas, que acabaram se transformando em estampas divertidas, como sempre.
Na mesma Minas Gerais, mas numa festa disco, a Vide Bula brinca com rinque de patinação ao som dos anos 1980. Mas a história de amor juvenil que a grife sempre conta dessa vez ficou moderna demais. Um amor a três com um casal texano e um surfista havaiano. Imaginou o mix?
De volta aos homens, a Ellus encerrou a noite com seu desfile masculino pensando no mar. A viseira e a flor na lapela estão entre os acessórios que mais aparecem. A debutante que se cuide. Dizem que os marinheiros têm uma mulher em cada porto.
A jornalista Karla Matida viajou a São Paulo a convite da organização do evento.

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