A frase acima, proferida com indignação por diversos nomes do cinema marginal brasileiro, está também no discurso de José Mojica Marins, dono de uma cinematografia com espírito artesanal, em que procura chegar ao melhor resultado possível dentro de suas possibilidades, por menores que elas sejam.
Mojica sempre trabalhou com orçamentos pequenos em suas produções - até mesmo no bem produzido ''Encarnação do Demônio'' -, fato que sempre lhe rendeu injustamente a fama de trash. ''Se trash for sinônimo de baixo orçamento, então os filmes do Person, do Glauber Rocha, Candeias, Reichembach e Sganzerla seriam trash também'', protesta Mojica. ''Quando é filme de baixo orçamento, já dizem que é trash sem assistir.''
O fato de ter apresentado um programa televisivo com o termo no nome, contribuiu para que as pessoas fizessem a associação. ''Trash é aquilo sem pé nem cabeça. Eu apresentava o Cine Trash na TV Bandeirante, mas lá os meus filmes só passavam na sessão cult, de madrugada. Mesmo se eu pedisse, eles não passariam minhas fitas no Cine Trash, pois não as consideravam como tal'', comenta.
Uma confirmação chegou há alguns anos, em uma edição do Festival de Sundance, o mais importante evento do cinema independente. Lá ele se encontrou com Lloyd Kaufman, presidente da Troma, produtora de filmes absurdos e toscos como ''O Vingador Tóxico'' e ''O Monstro do Armário. ''Ele assumiu dizendo 'faço trash proposital', e completou dizendo que o meu cinema não é trash'', orgulha-se Mojica. ''Achei bacana. O americano, o canadense, o europeu não acham que o meu cinema seja trash. E não aceita quando dizem o contrário. Acho que tem que ter algumas escolas agora pra explicar o que é trash, pois as pessoas estão chamando tudo de trash ultimamente''. (R.J.D.)

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