Tudo pronto para as oficinas de música
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quinta-feira, 08 de janeiro de 1998
Zeca Corrêa Leite 
Curitiba
Chico CamargoMaestro Roberto Gnattali, Ingrid Seraphin e Elisabeth Seraphin, coordenadores das Oficinas de Música Popular e EruditaO primeiro concerto de 1998 no Teatro Ópera de Arame, a ser realizado na noite de domingo, às 21h, com a Camerata Antiqua, tem múltipla importância: abre oficialmente a 16ªOficina de Música e homenageia a Fundação Cultural de Curitiba pelos seus 25 anos. O aniversário da instituição transcorreu da forma mais franciscana possível, segunda-feira passada, dia 5.
A 16ªedição da Oficina de Música nasce ao som de Bach e Vivaldi, mas até seu encerramento, dia 31 de janeiro, uma parte muito mais abrangente da música estará sendo levada às salas de aulas e aos palcos, pelos 81 professores e cerca de 1.200 alunos.
Os jovens estarão espalhados nos cerca de 90 cursos que abrangem desde a prática instrumental e canto até a didática, prática de conjunto e regência, estruturação musical e atividade infantil. A sede do encontro será o Colégio Estadual do Paraná.
Erudito e popularDe acordo com os novos tempos, a música erudita e a popular convivem pacificamente. Tanto é verdade que a temporada abrigará a 6ªOficina de Música Popular Brasileira, o 6ºEncontro de Música Antiga, o 4º Encontro da Associação Brasileira dos Professores de Piano e o 2ºSimpósio Latino-Americano de Musicologia.
Também os homenageados são nomes exponenciais desses gêneros: o compositor Braguinha, criador de muitos dos clássicos brasileiros, como As Pastorinhas, o pianista Homero Magalhães, falecido ano passado, e a professora Belkiss Carneiro, que estará participando do simpósio de musicologia.
FormaçãoA Oficina de Música de Curitiba, que começou em 1983 com oito cursos e 200 alunos, é hoje o maior evento do País voltado à formação, reciclagem e aperfeiçoamento dos músicos. Embora não tenha vaga para iniciantes, ela também não é excludente. Está aberta a todos, ao contrário do que acontece, por exemplo, com o Festival de Campos do Jordão.
O maestro Roberto Gnattali, que responde pela música popular, afirma que a Oficina representa um momento de êxtase para o aluno, em que só se fala de música. É um momento integral, mágico. Ingrid Seraphim, da comissão artística, observa que aqui os jovens estudantes têm oportunidade de tocar ao lado de professores renomados, como o oboísta Noel Devos, por exemplo.
Outro ponto de valorização aos alunos está na programação artística. O evento abre espaço para eles em horários nobres no mesmo palco onde se apresentam os professores - o Teatro da Reitoria da UFPR. Isso dificilmente ocorre, em eventos semelhantes. Geralmente eles acabam sendo programados para tocar em auditórios e horários alternativos, a um público restrito.
MilagreAs inscrições ainda estavam sendo efetuadas nesta semana, e os organizadores tentavam solucionar os imprevistos de cada dia. São os acabamentos finais de um acontecimento que, apesar de sua importância, custa muito pouco aos cofres públicos: R$ 400 mil. A Prefeitura de Curitiba arcou com a metade - o restante ficou por conta da Copel, através da Lei Rouanet.
É um milagre o que se faz em Curitiba, admira-se o maestro Roberto Gnattali. É um recurso muito pequeno. Ingrid Seraphim, que participa da organização do evento desde sua criação, argumenta que isto só é possível porque a estrela do encontro é o estudante. Nossa Oficina é voltada para o aluno, estamos investindo na juventude.


