Estréias nacionais, cifras milionárias, atores famosos, glamour e badalação. Nem só disso é feito o 10º Festival de Teatro de Curitiba, que prossegue até o dia 1º de abril. Do outro lado da moeda, companhias menores fazem sacrifícios enormes, viajam milhares de quilômetros, hospedam-se em alojamentos ou casas de amigos e reduzem ao máximo o orçamento dos espetáculos para conseguirem apresentar-se na Mostra Paralela (Fringe).
A diferença entre as 23 privilegiadas companhias que integram a Mostra Oficial e as outras 102 que participam do Fringe é que as primeiras recebem cachês (negociados individualmente com cada grupo) para participar, enquanto que as outras não têm nenhuma ajuda de custo para vir a Curitiba, tendo que bancar transporte, alimentação e divulgação, além de terem que repassar 20% do valor arrecadado na bilheteria para a organização do festival.
Das 102 companhias vindas do Acre ao Rio Grande do Sul para participar do Fringe, 31 estão estreando nacionalmente seus espetáculos. Ao todo são 400 apresentações que envolvem 990 artistas na mostra paralela.
Este exército de atores, diretores e técnicos assumiram em Curitiba várias outras funções, fora dos palcos. Em dias de festival, se tornou comum vê-los nas ruas de Curitiba panfletando ou colando cartazes. Tudo é válido para garantir platéias lotadas. O sucesso das peças do Fringe, aliás, deve-se exclusivamente ao boca a boca. A Folha2 conheceu a saga de alguns grupos do Fringe para chegar e se manter em Curitiba. Todos sabiam da aventura, mas a dura realidade da cidade grande não interferiu na ilusão apresentada nos palcos.

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