Tudo pelo country
Mario CesarJayne: country de boa qualidade e estímulo para emplacar no mercado brasileiroSim, ela é uma cantora popular. Mas ainda não dá para ficar na base de sombra e água fresca aguardando relatórios sobre vendagem de seus discos. E é por isso que a cantora Jayne está em peregrinação Brasil afora para divulgar seu mais novo trabalho, lançado pela Paradoxx, que já vendeu mais de 100 mil cópias. Seu primeiro disco de ouro, em outras palavras. E ela e a gravadora querem mais. É por isso que desde novembro vem percorrendo rádios e mais rádios - até agora foram cerca de 150 emissoras - para falar sobre a mais nova cria, cercada de um forte - e exaustivo - esquema de divulgação.
Gravado em Nashville, o disco tem estofo country, estilo adotado pela cantora que, inclusive, reforça o título de Rainha dos Rodeios. Ao todo, 12 faixas. Muitas regravações, que vão de O Mais Importante é o Verdadeiro Amor (versão de Tanta Voglia Di Lei, grande sucesso de Marcio Greyk), Cowboy Fora da Lei (Raul Seixas) e passando por Roberto e Erasmo Carlos (Roberto Carlos).
A música de trabalho é Sem Você (versão de Without You) que conta com a participação de uma das mais conhecidas vozes country norte-americanas, Doug Wayne. Trata-se de uma baladona romântica. A chamada música sertaneja de raiz não foi esquecida. Jayne canta, e bem, Peão da Cidade ( Sulino-Moacyr dos Santos). Para os amantes do estilo, o disco da cantora é um prato cheio.
Com esse disco, Jayne reafirma de vez seu estilo country. Não que isso não acontecesse nos trabalhos anteriores. Acontecia, pero no mucho. Estava mais ligada ao sertanejo moderno. No começo meu lance era o romântico. Quando fui para a Paradoxx, que tem uma veia forte no country, reafirmei a pegada- confessa a cantora. É um disco popular mas com muita qualidade - completa.
Uma das surpresas agradáveis do disco fica por conta da regravação de Bem-Te-Vi, grande sucesso de Renato Terra no início da década de 80. Enfim, dentro da linha country, Jayne e cia. conseguiram fazer um trabalho de qualidade em que sua voz é o principal chamariz.
Saindo do chão - É aquele tal negócio: desde que se entende por gente, sempre quis ser cantora. Mas para chegar onde está, ela precisou passar por outra atividade que, como a música, faz qualquer um tirar os pés do chão: a aviação. Foi aeromoça durante 10 anos. Eu não queria ser aeromoça, mas fui fazer um teste e fui aprovada. Porém, nunca me esqueci do meu objetivo que era gravar discos, ser cantora- informa.
Em seus vôos, além da simpatia que toda a aeromoça tem - e que ela carrega até hoje - sempre levava seus pertences, sem se esquecer do violão. Quando podia, pegava o instrumento ia para o fundo da aeronave e cantava para animar uns e outros. E foi numa dessas viagens que ela conheceu Luiz Gonzaga, o Rei do Baião. A emoção de cantar para ele foi tão grande que até derramei uma jarra de suco nele- diverte-se.
Em 89, a primeira grande chance de ingressar na carreira artística. Foi a vencedora de um Festival de Música Sertaneja, em São Paulo, desbancando 400 concorrentes. Defendeu duas músicas - Filha de Carreiro (José Ferreira) e Progresso Caboclo (Milton Aparecido Nascimento). Acabou arrebanhando os dois primeiros lugares, gerando assim uma certa dúvida nos demais participantes.
Dúvidas à parte, Jayne conseguiu chegar ao primeiro disco e ganhou o prêmio Sharp de revelação feminina na categoria Regional. Outros quatro discos vieram em seguida.
Cowboy no carnaval - A cantora faz uma média de 3 a 4 shows semanais, no período compreendido entre março e novembro quando acontecem as festas de peões em vários pontos cardeais do Brasil. E em seus shows ela não se limita apenas a empunhar o microfone cantar, cantar, cantar e tchau. Nada disso. Ela sempre surge na arena montada em um de seus cavalos - Fan ou Zabelê - devidamente adestrados.
Mas nem sempre foi assim. Jayne se diverte e consegue arrancar gargalhadas ao se lembrar das vezes em que, por contrato, pedia sempre um cavalo Mangalarga branco. Muitas vezes eu chegava e encontrava um pangaré de parteira - informa. Em Pitangueiras (PR), certa vez, lá foi ela linda e loira fazer sua apresentação.
Sua companheira, naquele espetáculo, era uma égua Quarto de Milha que na hora do vamos ver refugou e acabou prensando sua perna sobre as grades de proteção. E ela tinha que entrar de qualquer jeito pois o pessoal de sua antiga gravadora lá estava para ver sua perfomance. Com dor e tudo entrei na arena. Dias depois a perna ficou roxa, quase precisei engessar, essa coisas...- diz.
Mas é esse o mundo que a cantora gosta. Tanto que, dentro de seu chapéu, carrega a imagem de Nossa Senhora da Aparecida, um costume muito comum entre os peões de boiadeiro. Para mim existem duas pessoas, duas neguinhas queridas: Nossa Senhora no Céu e Whitney Houston na terra- diz bem-humorada.
Para ela, não há dúvidas: o Brasil não está, é um país country. Bem, pelo menos em algumas regiões. Apesar do Rio ainda ter uma certa resistência, hoje ninguém mais tem vergonha de entrar num shopping, por exemplo, de botas e chapéu- diz. E para reforçar sua tese, ela diz que estará como destaque no carnaval deste ano na escola paulistana X-9, cujo enredo é Solo de Cowboy Brasileiro. Então tá, né?!





