Em lançamento nacional, ‘‘Quarentena’’ é o remake, muito levemente retocado, da produção espanhola ‘‘[REC]’’, recém-exibida em Londrina. Só que a refilmagem foi feita especialmente para espectadores dos Estados Unidos, reacionários até a medula a legendas - vale dizer, a filmes não americanos mostrados em versão original. Para eles, portanto, pode até ser novidade (ruim), mas cá entre nós é pura redundância.
  Uma repórter, Ângela (Jennifer Carpenter), e um cameraman (Steve Harris), ficam presos num prédio infectado por um vírus durante reportagem que registrava o trabalho de uma equipe do corpo de bombeiros.
  O produto espanhol, ainda que muito devedor de ‘‘O Projeto Bruxa de Blair’’, aquele filme em que nada era tudo, até que se via como algo suportável pelas possíveis surpresas encontradas ao longo da trama que mesclava o falso documentário com o terror viral-claustrofóbico em uma filmagem subjetiva. Mas esta ‘‘Quarentena’’ se revela progressivamente insuportável.
  Este tipo de filme converte a câmera em joguete, e o que é pior, converte a (vídeo) câmera em dona arbitrária e ditadora do espaço fílmico, relegando o que interessa de fato (trama e personagens) a segundo plano. Estica-se uma única situação que nem sequer singulariza a profissão de seus ‘‘documentados’’ e nem o cenário onde se desenrola a história.
  A narrativa nem é moderna e nem audaciosa, embora às vezes até finja com muito esforço. Tudo é gratuito, tudo é muito barulhento com nada de terror. Tudo é sangue, truculência, cenas repulsivas e muita reiteração. (C.E.L.J.)

mockup