Um ano depois de se consagrar com ''Platoon'' (1986), vencedor de quatro Oscars, o diretor Oliver Stone voltou a chamar a atenção com ''Wall Street - Poder e Cobiça''. Ronald Reagan ainda comandava os EUA e a geração yuppie da década de 80 enfrentava sua primeira crise, graças a uma grande quebra na bolsa de valores. Foi o suficiente para que o vilão do filme, o ''tubarão financeiro'' Gordon Gekko (Michael Douglas), virasse o símbolo de uma época marcada por excessos.
Veio a globalização, a bolha da internet, o 11 de setembro e um novo colapso financeiro (desta vez, de proporções mundiais). Stone sentiu que era hora de retomar aquela história, mostrando as consequências da especulação desenfreada. Mas, ao contrário do que se pode esperar, ''Wall Street - O Dinheiro Nunca Dorme'', em cartaz a partir de hoje nos cinemas (ver programação nesta página), não é um retrato apocalíptico do capitalismo - e, sim, uma tentativa de compreender o momento.
A sequencia começa com Gekko (papel que deu o Oscar a Douglas) saindo da cadeia após cumprir oito anos por fraude e outros crimes de colarinho branco. Mais sete se passam, e ele reaparece aparentemente regenerado, divulgando um livro em que condena a ganância e prevê a crise econômica mundial. O foco da trama, no entanto, está no relacionamento de sua filha (Carey Mulligan, de ''Educação'') com um jovem operador de investimentos (Shia LaBeouf, de ''Transformers'').
Dividido entre a ambição e o idealismo, o rapaz está empenhado em se vingar de outro tubarão que arruinou a empresa - e a vida - de seu mentor no mundo dos negócios. E para quem ele pede ajuda? Para Gekko, claro, e aí está feita a cama para Michael Douglas deitar e rolar com seu charme de sujeito durão. Douglas, por sinal, está se tratando de um câncer na garganta enquanto divulga o filme (o tipo de esforço que a Academia pode reconhecer no Oscar 2011).
O ápice da história é o colapso de 2007/2008 e a revelação de escândalos financeiros envolvendo grandes nomes do mercado. Mas o destaque do roteiro está em suas várias camadas, que abordam temas como família, ética, política, economia, tecnologia. Um filme completo, portanto, ainda que baseado mais em dúvidas do que certezas, como reconhece o próprio Stone.

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