Steven Spielberg nunca foi tão bom quanto em ''Tubarão'', atração de hoje no TNT, às 19h30. O filme de 1975 que foi um sucesso de público e não rendeu muito prestígio. É a maldição do cinema. Para ser reconhecido é preciso ser ''profundo'', isto é, abordar os grandes temas humanos.
E ''Tubarão'' não é o que se chama de ''grande tema humano''. É simplesmente a história de dois especialistas - com formações diferentes, conflitivas até - e um xerife, que tentam capturar um tubarão que atacou uma cidadezinha balneária. O roteiro detém-se um pouco na demagogia do prefeito, mas isso não tem importância. O importante, primeiro, é que Spielberg reteve a lição de Hitchcock em ''Psicose'': faz um início tão terrível que dali por diante o espectador morre de medo, embora não aconteça nada.
E é importante, a seguir, que reteve a lição de Howard Hawks: criou um núcleo de especialistas e ateve-se a mostrar, quase exclusivamente, o seu agir: a maneira como cada um enfrentava o tubarão de monstruosidade quase inverossímil. Em suma, Spielberg conseguiu fazer um filme sem quase nada, exceto três atores e uma barbatana surgindo na água de tempos em tempos - e isso não é para qualquer um.
No domingo, o ciclo Spielberg prossegue no TNT com ''O Mundo Perdido'', 'as 14 horas, continuação meio requentada de ''O Parque dos Dinossauros''.

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