Troyes tem o centro em formato de rolha
Ruelas tortas, cheias de prédios listradinhos pela madeira aparente. Troyes parece saída de livro de conto de fadas, uma cidade de casas de boneca. Há muito para descobrir pela vias estreitas. É calçar um sapato confortável e botar o pé na rua.
Como tudo em Champagne-Ardenne, a referência ao espumante francês tinha de estar presente também em Troyes. Logo na chegada a guia turística informa que o centro da cidade antiga tem o formato de uma rolha. Você checa o mapa, e não é que é verdade? Mas aqui a bebida fica para a hora do descanso, depois de visitar construções históricas, igrejas e vitrais.
Troyes, com cerca de 100 mil habitantes, faz vitrais desde o século 12 e ficou conhecida pela prática. Em oito séculos, foram criados 15 mil metros quadrados dessa arte. O assunto é levado tão a sério na França que 38 mil metros quadrados de vitrais foram retirados durante a Segunda Guerra para evitar danos. Em Troyes, não foi diferente, especialmente na bela Catedral de São Pedro e São Paulo, do século 13.
Na Igreja de Madeleine, a mais antiga da cidade (começou a ser erguida em 1140), o colorido do vidro é ofuscado pela jube, aparato que separava a plebe da nobreza. Os motivos são a beleza da obra de Jean Gailde, de 1517, e sua raridade. Para simbolizar o fim da diferença entre classes, a maioria das jubes foi destruída na Revolução Francesa. O movimento, aliás, tem seu lema original inscrito na fachada da prefeitura. Nela, lê-se ''Liberdade, Igualdade, Fraternidade, ou a Morte''. É um dos poucos prédios na França que conserva a frase inicial.





