TROPA DE ELITE - Pega um, pega geral, também vai pegar você
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de outubro de 2007
Célia Polesel<br> Reportagem Local 
Não basta assistir às múltiplas versões piratas, nem frequentar as salas de cinema lotadas. Fã de ''Tropa de Elite'', o sucesso retumbante da hora, tem que ter no celular as músicas do filme. ''Parapapapapapapa, Paparapapapapapa, paraapapapapapa kla que bum'', do ''Rap das Armas'', música que abre o filme, ou ''Tropa de Elite, osso duro de roer pega um pega geral, e também vai pegar você'', música do Tihuana, do ano 2000, que também fez sucesso na voz do Rappa.
O rap, proibido de tocar em rádios no Brasil, parece ser o que mais fascina os adolescentes londrinenses que têm procurado baixar a música da internet. Caio Fernando de Souza, 16 anos, conta que tentou encontrar a música, mas não conseguiu. ''Estou tentando, não consegui ainda, mas não vou desistir. Acho que é difícil porque a música é proibida, mas tenho amigos que já conseguiram.'' Ele diz que gostou muito do filme porque mostra a realidade nua e crua. ''Acredito que acontece do jeito que o filme mostra. Para mim o 'Tropa de Elite' deveria ser o representante nacional no Oscar'', defende.
O representante brasileiro em uma das mais badaladas festa do cinema será ''O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias'', indicado pelo Brasil para disputar a categoria de Melhor Filme Estrangeiro.
O estudante Fernando Favoreto, 17, já conseguiu baixar as músicas e diz que todos os amigos da sala além de terem gostado do filme também baixaram as músicas. Para ele, o filme mostra a realidade das favelas do Rio de Janeiro, a corrupção e a violência policial. Quanto ao ''Rap das Armas'',
Fernando conta que ouviu a música pela primeira vez no filme e se interessou pelo ritmo. ''Nunca tinha ouvido, mas achei o ritmo interessante e também porque eles falam das armas utilizadas pelo tráfico.''
A música que está atraindo a moçada foi feita pelos MCs Cidinho e Doca, a letra é pesada, exalta as armas e a conduta dos traficantes na guerra com a polícia, além de menosprezar tanto as atitudes como o armamento dos policiais, inclusive coloca em xeque a coragem do Bope para enfrentar os donos do morro. É interessante como esse universo marginal fascina aqueles que no dia-a-dia jamais chegam perto dessa realidade. Além da versão pirata os amigos pretendem assistir ao filme em cartaz nos cinemas.
Já no Rio de Janeiro, cidade onde o Batalhão de Operações Especiais atua, a venda de produtos relacionados à moda Bope aumentou, segundo os comerciantes, cerca de 30%. O chamado kit Bope sai por cerca de R$ 230, constam do kit a gandola (blusão militar) e a calça preta feita com rip-stop, um tecido duro de rasgar (R$ 110), a boina preta (R$ 37) e o coturno (R$ 85).
O filme do diretor José Padilha mostra a corrupção da Polícia Militar, o treinamento feito pelos PMs que pretendem entrar para o Bope e foi baseado no livro ''Elite da Tropa'', escrito pelo ex-comandante do Bope Rodrigo Pimentel, expulso da corporação por indisciplina, pelo policial militar André Batista e o antropólogo Luis Eduardo Soares. Pimentel é consultor e co-roteirista de ''Tropa de Elite''.
O livro pode ser encontrado nas livrarias de Londrina. Maria Márcia, subgerente da Livrarias Porto, diz que em média têm sido vendidos oito livros por semana, mas a expectativa é que o número aumente agora que o filme está nos cinemas.
Ela conta que já havia interessados no livro mesmo antes do filme. ''As pessoas gostam porque acreditam que a história contada seja próxima do que de fato acontece. Esse tipo de livro parece atrair a curiosidade das pessoas.''
Segundo Márcia, não há um público específico que busca a publicação, mesmo os que não viram o filme se interessam querem conhecer a história do comandante Nascimento.
O símbolo do Bope, uma caveira transpassada por duas pistolas na diagonal e um punhal ao centro, é tatuada pelo personagem Neto (Caio Junqueira) depois que é aceito na tropa e tem despertado a atenção dos mais entusiasmados com o filme.
O tatuador Tadeu Roberto Junior, Carão, contou que nesta semana apareceu em seu estúdio um rapaz querendo tatuar o símbolo no braço. ''Ele disse que é fã tanto da polícia como do exército e queria fazer a tatuagem. Aconselhei a pensar melhor porque aquele símbolo marca muito, é bem específico e poderia até colocar a vida dele em risco.'' Para Carão, é preciso pensar bem porque uma tatuagem não é algo que se pode tirar facilmente.


