Mas afinal, por que ''Tron: Uma Odisseia Eletrônica'', de 1982 é tão cultuado até hoje? Bem, foi um dos primeiros a traduzir para o cinema uma aventura baseada em conceitos de videogames e deu passos fundamentais para a computação gráfica na sétima arte. ''Tron: O Legado'', aparece 28 anos depois com a missão de revitalizar o ícone nerd e apresentá-lo para uma nova geração. O filme, que entra em cartaz hoje no circuito nacional, inclusive com cópias em 3D, cumpre apenas parcialmente essa missão.
É bom lembrar que a Disney optou por uma sequência e não um remake, por isso precisou evocar os personagens e a premissa do filme anterior para mostrar o que aconteceu com todo mundo durante esse tempo. Assim, a história, logo no início, já apresenta o inquieto jovem Sam Flynn (Garret Hedlund), filho de 27 anos do protagonista de ''Tron: Uma Odisseia Eletrônica'', Kevin Flynn (Jeff Bridges).
Sam, que adora aventuras (como correr por aí de motocicleta em alta velocidade e praticar skydiving de um prédio), perdeu a fé no que virou o legado deixado por seu pai, a empresa de tecnologia Encom. Por isso, prefere deixar o trabalho administrativo de lado e se portar como uma espécie de terrorista virtual.
Tudo muda quando Sam decide procurar pistas sobre seu pai no fliperama que levou Kevin para o mundo virtual 25 anos antes. Sam também é tragado para o mesmo universo digital, agora mais amplo e ainda mais perigoso. É ali que ele se depara com Clu (também Jeff Bridges, mais jovem), um programa à imagem de Kevin, responsável por administrar a Grade como um ambiente virtual mais adequado ao que eles poderiam chamar de ''perfeito''.
Só, que, ao invés de um mundo perfeito, o que acontece é uma ''rebelião das máquinas'', liderada por Clu, que forma um exército para tomar nossa realidade, baseado em conceitos parecidos com os quais fizeram Kevin e Sam parar no mundo digital. Assim, pai e filho precisam unir esforços para impedir uma invasão e derrotar Clu.
O que se percebe logo de cara é que todas as experiências gráficas das Disney naquele ''Tron'' de 1982 evoluíram e muito. Tudo está nos conformes da mais alta tecnologia disponível atualmente. Desde as brigas de disco, até as corridas de motos e perseguições aéreas. As imagens estão polidas e bem acabadas, impressionantes. O rejuvenescimento digital de Jeff Bridges, atualmente com 61 anos, é de deixar qualquer um de boca aberta. Pena que o uso dos óculos 3D não ajudem em nada pra tornar a experiência mais imersiva.
O enredo naturalmente faz uma ligação com o filme anterior só que não é preciso, necessariamente, ter visto o original para entender este. Porém, assim como aconteceu anteriormente, muitos dos conceitos ali discutidos podem parecer um tanto quanto confusos.
O que mais decepciona é a falta de criatividade na renovação da franquia. ''Tron: Uma Odisseia Eletrônica'' simulava jogos de referência da época, a exemplo de ''Pong'', que poderia ser imaginado como a luta de discos de ''Tron''; ou ''Snake it!'', a cobrinha que não pode bater na própria cauda, algo como a corrida de motos do filme. ''Tron: O Legado'' não se conecta em nenhum sentido com os jogos atuais.
Por isso, ''Tron: O Legado'', apesar de toda a publicidade de peso e a bem-sucedida trilha sonora composta por Daft Punk, não tem o mesmo apelo cult do original. Enche os olhos e alcança o coração dos saudosistas. Mas não chega a revolucionar o universo da nova geração.

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