Tripla homenagem em Cannes
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de abril de 2002
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br>Especial para a Folha 2 
A organização do Festival de Cannes, que acontece de 15 a 26 de maio, definiu quais serão os homenageados especiais durante sua 55ª edição. Comemorando os 50 anos da revista Positif - muitos consideram a mais influente publicação especializada da Europa, ao lado dos Cahiers du Cinema -, Cannes vai prestar tributo a um dos maiores nomes do cinema francês e mundial: Alain Resnais. O revolucionário diretor, que está completando 80 anos, fez história polêmica em Cannes a partir de 1959, quando o clássico Hiroshima Mon Amour tornou-se a bandeira da nascente Nouvelle Vague, o movimento dos jovens e rebeldes cineastas franceses que a partir daquele momento seria influência determinante para o cinema em muitos países.
A homenagem a Resnais inclui ainda a exibição de uma cópia nova de Je TAime, Je TAime. O filme, selecionado para a mostra competitiva de Cannes em 1968, acabou não sendo exibido na época por causa das manifestações de estudantes e intelectuais em maio, que encerraram o festival daquele ano sem premiação. Resnais também ganhou o Prêmio Especial do Júri em 1980, por Meu Tio da América.
Já tradicional em Cannes, a Lição de Cinema incluída na programação deste ano fica por conta do diretor convidado Nanni Moretti, que ganhou a Palma de Ouro ano passado com O Quarto do Filho. Durante cerca de três horas, um realizador de notável folha corrida conversa com os jornalistas sobre seus métodos de trabalho e suas relações com o filme. Moretti, que costuma dizer: Não sou ator, não sou diretor, não sou roteirista, sou um pouco de cada simultaneamente, vem obtendo a melhor repercussão mundial para seus filmes a partir do festival. Foi assim com Caro Diário (melhor direção) e Aprile. Outros nomes famosos que deram lições recentes foram Milos Forman, Bernardo Bertolucci, Theo Angelopoulos, AgnSs Varda e Youssef Chahine.
Jacques Tati, gênio da comédia morto há 20 anos, é mais um homenageado em Cannes-2002. Uma cópia restaurada de Playtime, que o diretor realizou há 35 anos em 70mm e Dolby estéreo, vai ter premiSre mundial com os 145 minutos originais - 37 a mais do que a versão que correu mundo. E o público que circular à noite pela Croisette vai descobrir ou redescobrir, em telões especialmente instalados ao longo da praia, duas obras-primas de Tati, Carrossel de Esperança e Meu Tio, respectivamente hóspedes do festival em 1953 e 1958.
O presidente do júri do 55º Festival de Cannes será o diretor americano David Lynch. Ganhador da Palma de Ouro em 1990 com Coração Selvagem, Lynch levou também o prêmio de melhor diretor em 2001 por Mulholland Drive.
A exemplo dos últimos anos, a Folha vai estar novamente em Cannes, acompanhando o dia-a-dia do festival.


