A organização do Festival de Cannes, que acontece de 15 a 26 de maio, definiu quais serão os homenageados especiais durante sua 55ª edição. Comemorando os 50 anos da revista ‘‘Positif’’ - muitos consideram a mais influente publicação especializada da Europa, ao lado dos ‘‘Cahiers du Cinema’’ -, Cannes vai prestar tributo a um dos maiores nomes do cinema francês e mundial: Alain Resnais. O revolucionário diretor, que está completando 80 anos, fez história polêmica em Cannes a partir de 1959, quando o clássico ‘‘Hiroshima Mon Amour’’ tornou-se a bandeira da nascente Nouvelle Vague, o movimento dos jovens e rebeldes cineastas franceses que a partir daquele momento seria influência determinante para o cinema em muitos países.
A homenagem a Resnais inclui ainda a exibição de uma cópia nova de ‘‘Je T’Aime, Je T’Aime’’. O filme, selecionado para a mostra competitiva de Cannes em 1968, acabou não sendo exibido na época por causa das manifestações de estudantes e intelectuais em maio, que encerraram o festival daquele ano sem premiação. Resnais também ganhou o Prêmio Especial do Júri em 1980, por ‘‘Meu Tio da América’’.
Já tradicional em Cannes, a ‘‘Lição de Cinema’’ incluída na programação deste ano fica por conta do diretor convidado Nanni Moretti, que ganhou a Palma de Ouro ano passado com ‘‘O Quarto do Filho’’. Durante cerca de três horas, um realizador de notável folha corrida conversa com os jornalistas sobre seus métodos de trabalho e suas relações com o filme. Moretti, que costuma dizer: ‘‘Não sou ator, não sou diretor, não sou roteirista, sou um pouco de cada simultaneamente’’, vem obtendo a melhor repercussão mundial para seus filmes a partir do festival. Foi assim com ‘‘Caro Diário’’ (melhor direção) e ‘‘Aprile’’. Outros nomes famosos que deram lições recentes foram Milos Forman, Bernardo Bertolucci, Theo Angelopoulos, AgnSs Varda e Youssef Chahine.
Jacques Tati, gênio da comédia morto há 20 anos, é mais um homenageado em Cannes-2002. Uma cópia restaurada de ‘‘Playtime’’, que o diretor realizou há 35 anos em 70mm e Dolby estéreo, vai ter premiSre mundial com os 145 minutos originais - 37 a mais do que a versão que correu mundo. E o público que circular à noite pela Croisette vai descobrir ou redescobrir, em telões especialmente instalados ao longo da praia, duas obras-primas de Tati, ‘‘Carrossel de Esperança’’ e ‘‘Meu Tio’’, respectivamente hóspedes do festival em 1953 e 1958.
O presidente do júri do 55º Festival de Cannes será o diretor americano David Lynch. Ganhador da Palma de Ouro em 1990 com ‘‘Coração Selvagem’’, Lynch levou também o prêmio de melhor diretor em 2001 por ‘‘Mulholland Drive’’.
A exemplo dos últimos anos, a ‘‘Folha’’ vai estar novamente em Cannes, acompanhando o dia-a-dia do festival.

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