Trio Madeira Brasil apresenta novidades
São Paulo, 27 (AE) - O Trio Madeira Brasil é formado por Marcello Gonçalves (violão de sete cordas), José Paulo Becker (violão de seis cordas) e Ronaldo do Bandolim. Os dois primeiros músicos são do Rio. Ronaldo é de Petrópolis, radicado em Niterói. Mas o trio nasceu em São Paulo. Marcello e José Paulo estavam na cidade, participando do festival Chorando Alto, como integrantes da Orquestra de Violões Chiquinha Gonzaga, montada por Maurício Carrilho. Ronaldo estava com o Época de Ouro, grupo que integra há quase 20 anos. O bandolinista é mestre em descobrir rodas de choro, onde quer que chegue. Descobriu uma aqui. Marcello e José Paulo foram, também. Tocaram juntos, na roda. Nasceu a idéia de montar o trio. O único disco do Madeira Brasil foi lançado no ano passado e leva o nome do grupo. Foi saudado como grande acontecimento da música instrumetal: mais do que um grupo de choro, como poderia parecer à primeira vista (e mesmo que toque choro), é uma formação camerística em que os três instrumentos são solistas e acompanhantes, alternando-se nos papéis, tecendo vozes complementares.
Também no repertório o Trio Madeira Brasil ultrapassa as fronteiras do choro. Pode tocar tanto Nazaré e Pixinguinha quanto Chopin e Piazzolla - afinal, Marcello e José Paulo (de 30 e 27 anos, respectivamente) são formados em música (Ronaldo, de 49 anos, ídolo dos dois, é autodidata, filho e irmão de músicos e, além do bandolim, toca violão, pandeiro e o que mais vier).
Para que a proposta musical do Madeira Brasil se realize
é necessário que Marcello use, no violão de sete cordas, encordoamento de náilon (como Rafael Rabelo usava, nos últimos tempos da carreira). O trio foi duas vezes indicado para o Prêmio Sharp de 1999: como melhor grupo e pelo melhor disco instrumental. Aliás, eles produziram o próprio CD, que tem distribuição do selo alternativo Kuarup, e pretendem continuar produzindo, pois, dessa forma, têm pleno poder sobre o trabalho. O segundo disco já está sendo montado. Tem música feita especialmente por Egberto Gismonti (que tocou com eles no Chorando Alto), outra dada de presente por Guinga (um admirador entusiasmado). No Free Jazz, o Madeira Brasil vai mostrar músicas do primeiro disco e algumas novidades.





