Música, poesia, teatro e artes plásticas, salpicados da irreverência de três artistas que pela primeira vez sobem juntos ao mesmo palco. A fórmula não é nova, mas traz ingredientes interessantes numa mistura sugestiva: o espetáculo performático ‘‘Vagais e Musicais’’, apresentado pela cantora, compositora e poeta Neuza Pinheiro, o poeta e letrista Augusto Silva e o artista plástico e poeta Eduardo Tadeu. O trio entra no palco do Bar Valentino, em Londrina, às 22 horas, acompanhado do guitarrista Rodrigo Amadeu, da Banda Cherry Bomb, e do violonista Marcos Santos.
O espetáculo é resultado de dois projetos individuais de Augusto Silva e Neuza Pinheiro. ‘‘Vagais’’, na versão de Silva, é uma reunião de poesias em parceria com amigos da boemia, apaixonados por blues e rock’n’roll. ‘‘Coisas de quem anda por aí...’’, comenta. Este projeto é um experimento antigo de Silva, o que ele chama de uma brincadeira com o gênero hai-kai, aliada a canções de blues e rock’n’roll. Da mesma forma, ‘‘Musicais’’ é um projeto de um livro de Neuza Pinheiro, no qual são apresentadas ‘‘pequenas peças para se dedilhar no caminho’’.
Eduardo Tadeu incorpora ao espetáculo sua natureza multifacetada de artista plástico e poeta épico. Ele vai apresentar fragmentos do poema ‘‘Ciclo do Descobridor’’. Além disso, o artista confeccionou máscaras e adereços para compor o cenário do show.
‘‘Vagais e Musicais’’ traz momentos de beleza, como antecipa Neuza Pinheiro ao falar da Renca de Caboclagem, uma colagem do lirismo caboclo pé vermelho ao som de modas de viola e desafio de poesias curtas. Além de composições próprias, os artistas inseriram no show as canções ‘‘Vento’’, de Dorival Caymmi, e ‘‘ Sinal Fechado’’, de Paulinho da Viola.
Neuza Pinheiro alerta que este espetáculo requer uma certa concentração por ser um trabalho para ser ouvido e visto. A idéia do trio é transportar o formato experimental de bar para uma versão em palco de teatro. ‘‘Vagais e Musicais’’ pretende ser ‘‘um rito de passagem, um pequeno tratado de fé nos tempos que virão’’.
Os artistas preparam novos projetos para 2001. Neuza Pinheiro está envolvida em dois resgates musicais. O primeiro é uma produção independente, um flash dos mais de 30 anos de sua carreira, registrado em CD e acompanhado de um livreto com pequenas histórias. Com a colaboração de Valquir Fedri, a cantora está fazendo um levantamento de todo seu trabalho musical – aos 13 anos, Neuza já era crooner de orquestra e, aos 17, gravou seu primeiro compacto. ‘‘Cata Logo 68-99’’ tem previsão de lançamento para o segundo semestre. ‘‘Sociedade dos Amigos da Música’’, o outro trabalho, é um projeto de levantamento de material sonoro dos Festivais Universitários de Londrina. O CD deve ser lançado até o final de 2001.
Augusto Silva também já tem alguns planos para o novo milênio. Os poemas de ‘‘Vagais’’ fazem parte do novo livro ‘‘Me Pergunta Se Eu Mudei’’, terceira produção do autor de ‘‘Selvageria’’ e ‘‘O Abilolado Capitão’’.
‘‘Vagais e Musicais’’ – espetáculo de Neuza Pinheiro, Eduardo Tadeu e Augusto Silva. Participação: Rodrigo Amadeu e Marcos Santos. Duração: 1 hora. Hoje, às 22 horas, no Valentino (Rua Bandeirantes, 61), em Londrina. Couvert: R$ 3,00.

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