Trilhas, sombra e água azul
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quarta-feira, 27 de março de 2002
Betânia Rodrigues Reportagem Local 
Bonito Para quem quer fugir do estresse dos grandes centros e relaxar em contato com a Natureza, Bonito é uma excelente opção. Cravada no Planalto da Bodoquena, ela é rica em matas e cachoeiras. Mas engana-se quem pensa que o turismo neste lugar é apenas sombra e água fresca. O prazer deste paraíso ecológico é justamente suar a camisa nas reservas florestais ainda preservadas pelo homem.
O roteiro básico consiste em desbravar as matas ciliares dos rios que formam o Pantanal, caminhando por longas trilhas que terminam em refrescantes quedas dágua e cachoeiras. Durante o passeio é comum encontrar macacos-prego, queixadas, siriemas, tamaduás, araras entre outras espécies nativas, que vivem entre as perobas, aroeiras, angicos etc.
A partir dos anos 80, quando a cidade foi descoberta pelos ecoturistas, os proprietários rurais passaram a investir na preservação do meio ambiente, de olho no retorno financeiro. Além do reflorestamento, eles tiveram que criar uma estrutura física capaz de receber e orientar visitantes exigentes como israelenses, australianos, americanos e holandeses.
Em todas as fazendas é possível saborear pratos típicos da região como arroz carreteiro, tutu de feijão, pacu ensopado, queijo, doce de leite, de mamão e de abóbora. Depois da comilança, o turista é convidado a descansar em redes de couro instaladas debaixo de árvores frondosas. Sem dúvida, é um dos momentos mais agradáveis da viagem, principalmente, para quem acordou cedo e passou a manhã inteira caminhando no mato.
O dia em Bonito começa com o raiar do sol. Esse é o melhor horário para ver a coruja albina que se esconde por trás das estalactites da Gruta do Lago Azul, o principal cartão-postal da cidade. Trata-se de uma caverna subterrânea formada por rochas calcárias há milhares de anos. No final dela existe um lago de águas tão claras e profundas que à luz do sol ganham um tom azul anil. Para chegar até ele é preciso descer 294 degraus recortados em meio a esculturas milenares formadas pela ação do tempo e umedecidas pelo gotejamento incessante que cai do teto.
Mergulhar nesse lago é expressamente proibido devido ao risco de acidentes e degradação do ambiente. Segundo a guia de turismo, Maria Cristina Leander Leite, a profundidade da água supera os 80 metros e por isso, até hoje, os pesquisadores ainda não descobriram aonde ele nasce e termina. Outra espécie curiosa que habita a Gruta é o camarão brasiliense que, assim como a coruja, não tem cor e, misteriosamente, só é encontrado na África.
Para preservar a riqueza de informações guardadas nesta gruta, o Instituto de Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional (Iphan) tombou a área em 1978. Este e outros locais por ele fiscalizados foram abertos aos admiradores da Natureza e protegidos de vândalos e exploradores.
Em Bonito, as noites são tranquilas. Agito mesmo só na Cachaçaria Taboa que mistura água ardente a um arrasta-pé. Os mais dispostos podem fazer um tour pelo comércio que permanece de portas abertas até às 23 horas. E, para surpresa de muitos, existem pacotes turísticos que incluem passeios noturnos. Sempre, é claro, com a orientação de guias.


