Trilhas nada clássicas
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domingo, 10 de novembro de 2013
Marcos Roman<br>Reportagem Local 
Ao ouvir falar de música instrumental, a primeira imagem que vem à cabeça da maioria das pessoas é um concerto erudito com repertório pautado em peças clássicas. Mas em Londrina essa realidade é bem mais abrangente. Celeiro de grandes músicos, a cidade abriga bandas instrumentais e ecléticas que enfrentam diversos desafios tocando jazz, rock, surf music, samba, funk e outros estilos nada formais.
Som dançante
Os músicos da banda de música instrumental Aduba investiram em um repertório de clássicos jamaicanos para apresentar nos shows apresentados na cidade há cinco anos. O som altamente dançante que mistura reggae, jazz, dub e ska tem conquistado até mesmo o público jovem da cidade que ainda é pouco habituado à música instrumental.
"Todos os integrantes da Aduba tocam em outras bandas mas têm em comum a paixão pelo reggae. Quando falamos em montar um grupo de música instrumental muita gente ficou apreensiva, mas em todas as apresentações bastam os primeiros acordes para todo cair na pista de dança", afirma o baterista Guilherme Rossini, integrante da Aduba ao lado dos músicos Tiago Menezes (baixo), Filipe Barthem (guitarra), Mizão (guitarra),Wesley Cesar (saxofone), Henrique Hayashi (trombone) e Robson Ganeo (teclado).
Rossini acredita que o fato de tocar músicas conhecidas acaba facilitando o contato com o grande público. "Por conhecerem o repertório, acaba havendo uma reciprocidade por parte das pessoas, que acabam se divertindo mais", avalia.
O baterista acredita que a abertura de um espaço maior para a música instrumental depende da produção de um trabalho interessante por parte dos músicos que apostam neste estilo. "Muita gente torce o nariz para a música instrumental mas acaba vindo elogiar a gente depois de ouvir alguns clássicos da MPB em versões de reggae, jazz e ska que criamos. Eles sentem o prazer que a gente tem em tocar e acabam se deixando contagiar também", ressalta.
Linguagem jazzística
Explorar ritmos pulsantes como o funk e o drumnbass dentro de uma linguagem jazzística. Foi com essa proposta que vários músicos de Londrina se uniram para criar o Projeto Cinemática. Desde que foi lançada, em 2008, a banda tem conquistado seu espaço nos diversos lugares onde se apresenta.
"No início a gente se ofereceu para tocar jazz em um bar da cidade toda terça-feira. Aos poucos o público foi aumentando e começamos a nos apresentar em espaços maiores. Acho que existe público para música boa independente do estilo tocado", afirma o guitarrista Emílio Mizão, que ao lado de Wesley Cesar (saxofone), Filipe Barthem (baixo), Leonardo Cacione (bateria) e André Siqueira (trompete e flauta) forma a Cinemática.
Tocando na noite londrinense há 16 anos, Mizão já se apresentou com várias bandas em diversos estados brasileiros e também no exterior. Ele afirma não ver diferença entre a receptividade do público de regiões diversas. "Acho que nos últimos anos houve uma abertura maior para a música instrumental, embora ainda esteja longe do ideal. O importante é fazer um trabalho verdadeiro e não desistir no meio do caminho. Com persistência a gente consegue mostrar que existem trabalhos interessantes sendo feitos e que, ao contrário do que muitos pensam, a música instrumental pode ser divertida, empolgante e tão vibrante quanto as canções cantadas", enfatiza.


