Trilhas, cânions e lagos na Chapada dos Veadeiros
São Paulo - Durante anos, ouro e cristal atraíram à região aventureiros em busca de riqueza. Mas desde que o garimpo foi proibido por lá, em 1992, quem chega à Chapada dos Veadeiros, em Goiás, procura outro tipo de tesouro: as belezas naturais, que se esparramam por uma área formada há mais de 1,8 bilhão de anos.
Parte está preservada nos 65 mil hectares do Parque Nacional, em Alto Paraíso de Goiás. Os turistas, no entanto, só têm acesso a cerca de 20 quilômetros quadrados da reserva. Mas a área, dividida entre as duas únicas trilhas abertas, a do Saltos e a dos Cânions do Rio Preto, compensa qualquer esforço. Antes de percorrê-las, vale lembrar que é necessário estar acompanhado de um guia, para evitar imprevistos.
Saltos
Uma verdadeira trilha de cristais é encontrada no caminho até os Saltos 1 e 2 do Rio Preto. A impressão que se tem é a de que alguém espalhou as pedras por ali, propositalmente. Só uma prova de como a natureza é caprichosa por aquelas bandas. Resista à tentação de levar ''uma pedrinha'' para casa. Já imaginou se todos os turistas tiverem a mesma idéia?
O cerrado ''acompanha'' o visitante por toda a caminhada. Na estação seca (alta temporada, entre maio e outubro), a vegetação fica ressequida, como morta. Mas basta começar a estação das chuvas para as plantas voltarem a brotar, as flores aparecerem - é como se a vida tivesse voltado ao cerrado.
Depois de aproximadamente 1h30 de caminhada, o aventureiro alcança um mirante, de onde se tem uma bela vista para o Salto 2, uma cachoeira de 120 metros de altura. De lá, os visitantes seguem até o Salto 1. É hora de se refrescar em uma área limitada do rio - a medida é necessária em razão da forte correnteza. Vale lembrar, no entanto, que se o rio estiver muito alto pode não ser possível entrar na água.
Cânions
Nesse período, o Cânion 1 do Rio Preto também fica fechado, em razão do grande volume d'água. O percurso, de 10 quilômetros, termina na Cachoeira dos Cariocas.
Mas não pense que as chuvas estragam o passeio de quem se aventura pela Chapada dos Veadeiros nessa época do ano. Coloque uma capa de chuva na mala e aproveite as alternativas de programas que as agências preparam para substituir os passeios que não podem ser realizados no período chuvoso.
Um deles é a trilha para o Mirante da Janela, já fora do parque, de onde se tem uma vista espetacular dos Saltos do Rio Preto. A caminhada é dura, mas o cenário deslumbrante compensa. Na volta, faça uma parada refrescante na Cachoeira do Abismo, formada apenas durante a época das chuvas.
Para fazer a maior parte dos programas, os turistas costumam se hospedar na Vila de São Jorge, mais próxima da entrada do parque (dá para ir a pé) e distante 36 quilômetros de Alto Paraíso. A pequena vila, hoje com cerca de 500 habitantes, já teve até 5 mil moradores no auge do garimpo.
Com o declínio e posterior fim da atividade, o vilarejo ficou estagnado. Isso só começou a mudar no fim da década de 80, com a chegada dos primeiros turistas. E são eles que hoje movimentam a economia local. A cidade, aliás, é conhecida como ''praia de Brasília'', por conta do grande número de visitantes da capital do Brasil. (Adriana Moreira/A.E.)





