TRILHAS- Bombeiros fazem montanhismo para resgates arriscados
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quarta-feira, 30 de novembro de 2005
Adriana Moreira<br> Agência Estado 
Rio de Janeiro - Passar o fim de semana percorrendo trilhas no meio da mata ou escalando montanhas é o roteiro ideal para quem gosta de natureza. No entanto, como em qualquer esporte de aventura, os riscos existem. E quando o grupo se perde ou alguém sofre um acidente no caminho, quem poderá salvá-los? Os especialistas em socorro em montanha, que dão um banho em qualquer super-herói das histórias em quadrinhos.
No Rio, o 1º Grupamento de Socorro Florestal e Meio Ambiente (GSFMA) existe desde 1990 e conta com 120 homens 40 deles especializados em busca e resgate nessas áreas. Há quatro anos no 1º GSFMA do Alto da Boa Vista, o capitão Santos Ferreira sempre gostou de estar em contato com a natureza, mesmo antes de entrar para o grupamento. Hoje, ele também coordena o curso de salvamento em montanha, que a unidade ministra para oficiais de diversas corporações.
O treinamento é bem radical. O curso dura três meses, e as aulas práticas ocorrem no Parque Nacional do Itatiaia, onde os alunos escalam montanhas de até 2.400 metros de altura, suportam temperaturas que podem chegar a quatro graus abaixo de zero e ainda têm de carregar um boneco de areia a vítima. ''O ar rarefeito e o frio intenso dão boas condições de treinamento'', descreve o capitão. Para manter a forma, os oficiais fazem simulações no Pico das Agulhas Negras, no Dedo de Deus e no Corcovado. ''Precisamos estar sempre em ação.''
Em São Paulo, não há um grupamento especializado nesse tipo de resgate, apesar de todos os oficiais passarem por treinamentos na área no mínimo uma vez por ano. O curso não é fácil: são sete semanas em condições extremas, passando ora por cavernas, ora por picos e montanhas. ''Não é para qualquer um'', admite o tenente Robson Góes, técnico do curso de salvamento em altura da corporação.
Segundo ele, há duas linhas de salvamento em altura. A norte-americana baseia-se na utilização de muitos equipamentos, enquanto a européia resume-se a mosquetões e cordas. ''O mais importante é aprender a européia. Quem trabalha bem com mosquetões e cordas não terá dificuldade quando tiver em mãos um outro equipamento.''
Góes também ministra aulas de atualização profissional realizadas no Centro de Ensino e Instrução do Corpo de Bombeiros (Ceibe), em Franco da Rocha, na Grande São Paulo. ''A palavra-chave para salvamento em altura é controle'', afirma. Por isso, conhecer e saber operar o equipamento de segurança é fundamental. ''O risco existe, mas temos de saber minimizá-lo.''
Além do Corpo de Bombeiros, o Estado do Paraná conta com montanhistas civis especializados em resgate, que atuam como voluntários, principalmente no Parque Estadual do Marumbi, em Morretes, a 73 quilômetros de Curitiba. O Corpo de Socorro em Montanha (Cosmo) foi criado em 1996 e atua tanto na prevenção de acidentes como em resgates de grande dificuldade.
''Temos um ótimo relacionamento com o Corpo de Bombeiros e atuamos em parceria'', explica Irivan Burda, de 34 anos, um dos fundadores do grupo. Para quem não se lembra, Burda é um dos alpinistas brasileiros que chegou ao topo do Everest em junho deste ano.
O Cosmo também realiza dois cursos de resgate em montanha por ano. Um, para os voluntários, com duração de quatro meses, no qual só é cobrado o valor das apostilas, que também oferece vagas para oficiais. ''Pelo menos 30 bombeiros já participaram do curso'', afirma. Outro, aberto ao público, cujo valor ajuda na obtenção de recursos para a corporação. São 15 dias de treinamento intensivo e, para participar, é preciso ter um currículo mínimo de experiência em montanha. Atualmente, o Cosmo conta com 22 integrantes.
Segundo Burda, a maior parte dos resgates é realizada no inverno, quando anoitece mais rápido na mata e o grupo é surpreendido sem lanterna para voltar. ''Por isso, sempre recomendamos levar uma na mochila'', diz.


