Trilha sonora renovada
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quinta-feira, 14 de março de 2002
Zeca Corrêa Leite<br>Equipe de Curitiba 
Um novo balé produzido para o Ballet Teatro Guaíra tem estréia prevista para meados do ano. O Grande Circo Místico, que se tornou o maior sucesso do corpo de baile oficial desde sua estréia nos anos 80, está sendo reformulado totalmente sob a criatividade do coreógrafo Luís Arrieta. Um outro espetáculo será apresentado ao público, e nessa renovação até o compositor Edu Lobo entrou de cabeça. Na terça-feira Edu assistiu ao ensaio durante meia-hora, ficou entusiasmado com o que viu e agora parte para as mudanças na trilha original.
Essas mudanças obviamente acontecerão na parte orquestral, já que as belíssimas interpretações de Milton Nascimento, Gal Costa, Simone, Tim Maia, Gilberto Gil e demais estrelas não têm como sofrer interferências. Estuda-se a substituição ou mesmo extinção de uma música, mas sobre isso Edu Lobo faz segredo. Apesar da preciosidade registrada em disco, O Grande Circo Místico pairou em toda sua história como uma espécie de algo de difícil acesso, desde o lançamento em LP, pela Som Livre, e depois em CD pela Velas. As gravadoras colocam poucas unidades no mercado; a maioria fica a ver navio.
O interesse é facilmente explicado pela dupla Edu Lobo/Chico Buarque. As letras de Chico são definitivas como as canções do parceiro Edu. Em Beatriz tem os clássicos versos diz quantos desastres tem nas minhas mãos/ diz se é perigoso a gente ser feliz, na voz de Milton Nascimento.
Isso é o que já tem, mas o que virá nem Edu Lobo ainda sabe. A partir de agora ele se torna parceiro de Luís Arrieta, com quem conversou cerca de três horas no encontro de terça-feira. Achei que a conversa da gente foi muito boa, muito bacana. Tudo o que ele está pensando dá certo com o que estou querendo. Acho que a gente vai se entender muito. Aí, o trabalho deixa de ser trabalho, vira prazer.
Dizendo ter adorado o ensaio, o compositor já começou a burilar as músicas: Estou mexendo nas que já existiam ou fazendo outras inteiramente novas. Não posso dizer muito, mas muita coisa nova vai rolar. Muita coisa nova, mesmo, enfatizou. É claro que essas mudanças ocorrem porque o próximo balé é um trabalho inédito. A coreografia é que comanda, afirmou. Edu deixou bem claro a parceria que assumiu com Arrieta: É como se fosse um filme, se ele (Arrieta) pretende que a dança naquele momento seja um trio, que tipo de música usar, que tipo de andamento usar? Vai ser uma valsa, um três por quatro, um binário, uma valsa, uma música violenta? O coreógrafo tem que me dizer o que ele pensa, que cena vai fazer. É uma parceria. É tão parceria quanto a que eu tive com Chico fazendo as letras. Um balé é exatamente isso: tem um cara que faz a música; o orquestrador que é importantíssimo , o coreógrafo e o letrista, nesse caso das canções.
Com Chico Buarque seu último projeto foi Cambaio. Como ele é apaixonado por teatro e eu também, e, realmente, para esse tipo de trabalho de encomenda, não consigo pensar em outra pessoa. Acabei o Cambaio e estou começando o Circo. Se o Circo virar um musical é possível que aconteçam novas canções, aí vou saber como está o Chico, se forem canções com letras, serão com letras dele.


