São Paulo, 02 (AE) - João Nabuco, autor da trilha de "Os Carvoeiros", assinou antes a música da comédia "Pequeno Dicionário Amoroso", história urbana, leve. As músicas são, não poderiam deixar de ser, rigorosamente diversas. No ... Dicionário", Nabuco contou com a participação de Ed Motta, que compôs as canções de amor, a música que toca na boate onde o casal jura amor eterno e briga para sempre.
As intervenções, na música de "Os Carvoeiros", são de personagens do filme, vozes amargas, pesadas de desesperança e fuligem. A música é seca, áspera. Mixa tambores e queixas, ruídos de máquinas, de pedras em choque. João Nabuco quase não oferece momentos agradáveis ao ouvinte. Uma das poucas exceções é a valsa "Saudade", executada por ele, ao violão, com solo do violoncelo de Mácrio Malard. Quase todo o mais é duro, dissonante; quase tudo o mais foge da concordância harmônica para oferecer contrastes, crises, misérias.
Não quer dizer que a trilha de Os Carvoeiros" não seja bonita. As imagens são belas, no entanto terríveis, como a música é terrível e bela. Mérito maior de João Nabuco foi o de não apelar para o sentimentalismo, vício que se alastra entre autores de trilhas brasileiras, principalmente depois do êxito de O Quatrilho". Aliás, já na música do "Pequeno Dicionário Amoroso" o compositor tinha mostrado equilíbrio, sem resvalar para o apelo fácil. Confirma-se, agora, um autor original, sóbrio e talentoso.

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