O filme ''Drácula'', um dos maiores clássicos de terror da história do cinema, lançado em 1931 pela Universal Pictures, será exibido hoje e manhã na Sala São Paulo, na capital paulista, e na próxima quarta-feira em Porto Alegre, no Teatro do Sesi. A projeção será acompanhada da trilha sonora criada recentemente pelo compositor norte-americano Philip Glass, que a interpretará com o conjunto de instrumentistas que leva seu nome.
''Drácula'' teve como diretor Tod Browning, mestre venerado do filme de terror, gênero que teve sua culminância a partir do início da década de 30, quando também foi lançado ''Frankenstein'' - o primeiro da série - que celebrizou tanto seu realizador, James Whale, como o ator principal, Boris Karloff. Em ''Drácula'', Browning escolheu como protagonista o romeno Bela Lugosi, que há três anos representava o personagem numa peça teatral, na Inglaterra. Assim, o filme mostra a influência dessa encenação. O ator criou o personagem com tal perfeição no cinema, que daí em diante até morrer, em 1956, não conseguiu representar a não ser Drácula. Lugosi/Drácula ou vice-versa geram uma simbiose: o envolvimento da voz e o olhar inapelavelmente sedutores, a capacidade de expressar uma personalidade brilhante e ambigua e, através dela, a projeção do terror e da dor. O fecho perfeito e definitivo o ator conseguiu com o seu enfático sotaque húngaro. Esta perfomance densa e profunda Lugosi repete na ''Marca do Vampiro'', de 1933, também dirigido por Tod Browning, que se aposentaria no ano seguinte, vindo a falecer em 1962. Um dos fatores que contribuiram para a admirável qualidade de ''Drácula'', e que o faz resistir 70 anos após seu lançamento, é a iluminação realizada por Karl Freund, fotógrafo cuja estética se insere na marcante e singular criação do cinema alemão.
Quanto ao argumento do filme, foi extraído do romance gótico de Bram Stocker ''Drácula, o Senhor dos Mortos'', lançado em 1897 na Inglaterra, onde obteve bastante sucesso. A narrativa é do século XIX, onde o fantástico, o sobrenatural e o romance se entrelaçam de forma fascinante, com um implícito acordo com o demônio. O que sucede com Drácula, o vampiro, em sua eterna procura da mulher ideal é a recusa de aceitar a morte. ''O escritor expressa o que se passava nas mentes das pessoas do século XIX: o mal absoluto, o ideal de pureza, o erotismo'', diz Philip Glass.
Fantasmagoria, metamorfose do homem em lobo, magia negra, fenômenos alucinatórios de aspectos sobrenaturais, vampirismo, dupla personalidade e tudo o que abrangesse o ilimitado terreno da imaginação e da fantasia foram objetos do cinema de terror que passa dos filmes mudos para a gênese da película sonora ao final dos anos 20. Desta forma, o apogeu do gênero coincide - como observa o estudioso Maurício Rittner - com a primeira década do cinema sonoro, com o apoio dos grandes estúdios, esgotando-se o filão depois de 1940. O conde Drácula foi inspirado no príncipe Vlad Tepes, que povoou de terror no século XV a história da Transsilvânia, região situada na parte meridional dos montes Cárpatos, na Romênia. Arquétipo de vampiro, o sanguinário nobre tinha como passatempo empalar seus inimigos, levando-os à morte de forma cruel.

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