A Trilha do Ouro começa na nascente do Rio Mambucaba, no ponto mais alto da serra, e segue em direção ao litoral sul do Rio. Há muitas histórias sobre a trilha. ‘‘Todas têm um fundo de verdade’’, diz o guia.
Sua origem parece ser mesmo das picadas que os indígenas abriam na floresta quando saíam para pescar. Pelo início do século 17, tropeiros vindos de Minas Gerais fizeram desse caminho sua rota de comércio. Desciam a serra carregados de ouro e pedras preciosas para serem embarcados nos portos de Mambucaba e Parati, e subiam com peixe seco, cachaça, farinha e outros mantimentos que eram comercializados no percurso de volta a Minas.
Desse período, surge a versão que, depois dos nativos, os primeiros que percorreram a trilha foram os tropeiros que levavam ouro não-quintado pelo fisco português. Por ser de difícil acesso, e com várias travessias de rios que se transformavam em verdadeiros atoleiros, os contrabandistas driblavam as patrulhas e as barreiras (precursoras dos pedágios) e chegavam ao litoral.
‘‘Navios de diversas bandeiras esperavam os carregamentos de ouro contrabandeado nos portos de Parati e Mambucaba’’, esclarece a historiadora Kátia Maria Abud, da USP.
A rota sobreviveu ao fim do ciclo do ouro, pois logo depois começou o ciclo do café nesta região do Vale do Paraíba – e a trilha ganhou importância como principal rota comercial entre Rio e São Paulo. Imponentes fazendas se espalhavam pela região e, como o movimento de tropeiros cresceu, agora em virtude do café, trechos do rio se tornaram intransitáveis para mulas e cavalos.
Em alguns trechos da serra, chove em média 300 dias por ano, o que dificulta o tráfego de mercadorias. Como os ricos fazendeiros possuíam levas e levas de escravos, é fácil concluir que o calçamento pode, muito bem, ter sido consequência desse período de apogeu e exageros. ‘‘Foram anos de opulência e fartura para municípios como Bananal, Arapeí, São José do Barreiro, Areias, Roseiras e Queluz’’, assegura o secretário Massarani. ‘‘Grandes fazendas, sobrados e casarões ainda hoje são marcos desse primeiro momento da cafeicultura no País. Tempo dos barões, dos condes das cartolas e casacas.’’ (R.C.M./AE)
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