Trilha de jipe é programa de família
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terça-feira, 01 de agosto de 2006
Marcelo Fenerich<br> Agência Estado 
São Paulo - ''Desde os meus 18 anos pratico fora-de-estrada com alguns amigos. Casei e engravidei, mas nunca parei'', conta a engenheira Mônica Bonuccelli de Oliveira, que faz esse tipo de atividade há 22 anos. Hoje com dois filhos, Mônica diz que desde o início da gravidez, tanto Carlo Bonuccelli de Oliveira, de 8 anos, quanto Giovanni Bonuccelli de Oliveira, de 5, foram a todos os passeios. ''No início tivemos de instalar cintos de quatro pontos nos nossos jipes para fixar as cadeirinhas. Agora eles já sabem que devem se sentar no banco traseiro, usar cintos de segurança e que não é permitido colocar as mãos para fora do veículo. Mesmo assim, quando o comboio pára, as crianças não conseguem ficar dentro do jipe. Querem descer para brincar na lama. A garotada adora se sujar de barro.''
A engenheira ensina que antes de percorrer uma trilha é preciso saber quanto tempo levará para ser concluída, se o grau de dificuldade é leve ou pesado e como é o clima da região por onde passará. ''Para uma trilha de um dia, por exemplo, levo um conjunto de roupa e um par de calçados para cada filho.''
Para ela é imprescindível não esquecer de levar comidas leves, sucos naturais e garrafas de água. ''Quando eles eram mais novos eu levava até leite em pó para preparar na trilha.'' Mônica diz que alguns remédios para primeiros socorros como anti-sépticos e ainda curativos adesivos também precisam ser levados.
''Uma vez, fomos fazer uma trilha pesada que durou cerca de 14 horas. Como demorou muito, meu filho brincou, dormiu, acordou, brincou mais, dormiu de novo... Ele já estava tão acostumado com esse tipo de coisa que, quando anoiteceu, pediu para que eu colocasse o pijama nele para que pudesse dormir a noite toda. Na verdade ele estava se sentindo em casa.''
O presidente do Jeep Clube do Brasil, Fábio Dal Fabbro Filho, mais conhecido como Binho, também dá algumas dicas. ''Recomendo que as crianças sejam acomodadas no centro do banco traseiro. Instalar gaiola de proteção nos veículos também ajuda em caso de acidentes.'' Segundo Binho, isso evita que, no caso de trepidações fortes ou até mesmo de um tombamento do jipe, as crianças coloquem os braços para fora do veículo ou que se machuquem batendo a cabeça no santantônio, por exemplo. ''É importante também se preocupar com a desidratação dos pequenos jipeiros. Como gastam muita energia, as crianças precisam beber água constantemente. Até os adultos sofrem com esse problema.''
De acordo com o diretor da Associação Brasileira de Acidentes e Medicina de Tráfego (Abramet), Dr. Moise Edmond Seid, todos os cuidados são recomendáveis nesse tipo de atividade.
''Por mais precaução que os pais tenham, as trilhas oferecem um certo risco para as crianças. Todas as dicas citadas são boas, mas imprevistos acontecem. Dependendo da idade da criança, os pais devem ficar atentos com o pescoço'', ressalta Seid, uma vez que os mais novos, os bebês, não conseguem sustentar a cabeça.


