A expressão ''chill out'' vai, aos poucos, popularizando-se na noite. Difundido originalmente em raves e clubs, o termo começa a frequentar o vocabulário comum para designar a hora da ressaca pós-festa, a passagem relaxada entre o agito e os primeiros bocejos.
''Chill out'' gerou um segmento musical próprio, favorecendo a criação de ambientes específicos em raves ou casas noturnas para a fruição de trilhas sonoras relaxantes. Nesses locais, o sujeito capota nas poltronas ouvindo bossa nova, easy listening, ambient, dub, trip hop ou qualquer música preguiçosa que ponha seus tímpanos e músculos de molho.
Na Europa, alguns bares ganharam fama receitando o estilo. O Café del Mar, do balneário de Ibiza, na Espanha, virou ponto turístico graças ao repertório calminho selecionado por seus DJs. Se você circular pelas lojas de discos, com certeza vai encontrar CDs estampando o nome do bar na capa. Como de praxe, ''Chill out'' foi adotado pelas gravadoras, que resolveram apostar em coletâneas recheadas de faixas sossegadas.
Na onda, a Warner acaba de lançar o CD duplo ''Chill: Brazil'' reunindo 34 canções pinçadas de seu arquivo. ''Garota de Ipanema'' e ''Água de Beber'' com Tom Jobim, ''À Vontade'' e ''Um Jantar pra Dois'' com Ed Motta, ''Tarde em Itapoã'' com os Cariocas, ''Alô Alô Marciano'' com Elis Regina, ''Pescador de Ilusões'' com O Rappa, e ''Santo Antonio'' com Hermeto Paschoal são algumas das faixas que compõem o discutível repertório.
A unidade do material estaria no andamento lento de todas as músicas, propiciando um oásis auditivo para quem esgotou as energias durante a madrugada na pista de dança. O ritmo cresce suavemente em cada CD, que termina com temas de Pedro Luís e a Parede, Barão Vermelho, Fernando Porto e os DJs paulistanos Marky e Patife.
A compilação foi feita por Marcos Valle, que abre o disco com ''Copacabana'', uma bossa composta especialmente para o projeto. A rigor, o clima ''chill out'' passa longe de boa parte do material garimpado. Além dos óbvios exemplares de bossa nova, o conceito é atendido pelo esquecido grupo Azymuth (''Linha do Horizonte'' e ''Vôo sobre o Horizonte'') e pela turma dos modernos Bebel Gilberto, Fernando Porto, DJ Marky, Edson e Patife.
Muitos dos artistas selecionados sugerem escolhas forçadas, incluídas de contrabando para completar o trabalho. Mas ''Chill: Brazil'' foi dirigido para o público gringo, com a distribuição abrangendo 29 países e quatro continentes. Já vendeu 40 mil cópias no exterior desde seu lançamento lá fora, há três meses. Por aqui, soa como uma coletânea levanta-suspeitas, capaz até de irritar quem se jogou no sofá para tirar um cochilo.

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