De todos, ele é o mais iconoclasta. Não há, na história do rock, quem rivalize com Frank Zappa em matéria de inconformismo. A figura difundida do malucão virtuoso na guitarra, que parecia não se levar muito a sério, dá apenas uma visão caricata do sujeito. Para muita gente, Zappa criou um universo à parte na música pop.
É o que sugere a leitura do livro ''Zappa - Detritos Cósmicos'' (editora Conrad), uma coletânea de textos de fãs do artista organizada pelo jornalista Fabio Massari. ''Muçulmanos vão a Meca. Católicos, ao Vaticano. Elvismaníacos vão a Memphis. Quando se trata de Frank Zappa, não há um ponto único e simbólico a ser visitado'', escreve Dagomir Marquezi, um dos convidados para o tributo.
Inclassificável, Zappa passou a carreira ridicularizando rótulos com suas incursões musicais. Tocou rock, blues, free jazz, vanguarda erudita, rhythm and blues, boogie woogie, ópera, pop descartável e variações de todos os naipes. Usou e abusou da sátira para criticar o capitalismo, executivos de gravadoras, hippies, feministas, punks, homossexuais, moralistas e políticos poderosos. Em um de seus raros videoclipes, levou o então presidente norte-americano Ronald Reagan para a cadeira elétrica.
Em dezembro de 1993, despediu-se do planeta levado por um câncer na próstata. Deixou mais de 60 álbuns gravados ao longo de 27 anos de trajetória. Para homenenageá-lo, Massari reuniu um time de 38 colaboradores, entre eles escritores, músicos, jornalistas, quadrinhistas, ilustradores e outros admiradores do bigodudo de Baltimore. Há de tudo no livro: reminiscências históricas, teorias nonsense, lembranças da adolescência.
O guitarrista André Christovan vasculha a memória para trazer à tona um show do mestre, que assistiu ao vivo em Los Angeles (EUA), em 1980. Gastão Moreira fala de três experiências auditivas, ocorridas em épocas distintas (com quase uma década de intervalo entre uma e outra), com os discos de Zappa. À certa altura, o ex-VJ da MTV anota: ''Zappa na guitarra é um franco-atirador de precisão milimétrica com alvos móveis''.
Kid Vinil, Clara Averbuck, Pitty, Allan Sieber, Thunderbird, Evandro Mesquita, Rogério Skylab, Fernando Bonassi, Wander Wildner, Luiz Calanca e Ademir Assunção são alguns dos outros ''súditos'' participantes da obra. Se circulasse por Londrina (onde, aliás, vem discotecar no próximo mês), Massari provavelmente chamaria o agitador cultural e zappamaníaco Paulão Rock'n'Roll para se integrar à turma.
Com 224 páginas, o volume inclui ainda duas entrevistas de Zappa, além de artigos de autoria de Massari sobre o músico e uma abastecida zappagrafia (misto de discografia, bibliografia e compilação de souvenirs que alimentam a mitologia do artista). Bem-vindos à Zappalândia.

SERVIÇO:
Lançamento: ''Zappa - Detritos Cósmicos''; coletânea de textos organizada por Fábio Massari.
Editora Conrad - 224 páginas.
Preço - R$ 38,00.

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