Tributo ao príncipe do soul
Nelson Sato
De Londrina
O príncipe do soul é, mais uma vez, imortalizado por seus herdeiros. Marvin Is 60 Tributo a Marvin Gaye (Universal) amplia a série de álbuns já lançados em homenagem ao cantor e compositor norte-americano, que morreu tragicamente em 1984 com dois tiros no peito desferidos pelo próprio pai.
O CD traz uma revisão de seu legado, reunindo canções dos anos 60 aos 80 pelas vozes de artistas da música negra norte-americana atual. Entre os participantes, talvez os nomes mais conhecidos do público brasileiro sejam a cantora Erikah Badu e o cantor DAngelo, que por acaso se revezam nos vocais na abertura do disco com a faixa Your Precious Love.
Essa regravação, aliás, é grandiosa anunciando a qualidade das demais releituras nas quais intérpretes de R&B e soul prestam as honras ao ídolo. A maioria das versões mantém os arranjos originais das composições. Os recrutados, todavia, estão aquém em termos de prestígio por aqui do elenco reunido há quatro anos, quando foi lançado o álbum (também tributo) Inner City Blues, ostentando nomes como Stevie Wonder, Bono Vox (da banda U2) e as parcerias Madonna-Massive Attack e Seal-Annie Lennox.
O novo tributo, ao contrário, arrebanhou ilustres desconhecidos como Jon B., Will Downing, Zhané, Profyle, Grenique & Tony Rich etc. O repertório retoma hits como Whats Going On, Mercy Mercy Me, Sexual Healing e Lets Get it On; além de repassar canções menos conhecidas como Distant Lover, Your Sure Love to Ball, Til Tomorrow e Got to Give it Up. O material é representativo do que de mais fino gerou os estúdios da gravadora Motown, reiterando uma fórmula explorada à exaustão notadamente entre o final dos anos 60 e começo dos 70 na qual letras de paixões à flor da pele aliadas a um padrão melódico simples e um refrão interminável ditavam os primeiros lugares das paradas.
Marvin Gaye foi mestre do soul suave, meloso, sem a aspereza de outros expoentes do gênero como Otis Redding ou Sam Cooke. Nele, a crueza do blues e o espírito do gospel aparecem em baixos teores, domesticados por texturas delicadas de cordas e metais.





