Curitiba A exposição ''Sharaku Revisitado por Artistas Contemporâneos do Japão'' abre hoje, às 19 horas, na Casa Andrade Muricy. A mostra itinerante já passou por vários países e encerra a temporada em Curitiba. Essa é a primeira mostra de 2003 no espaço e é uma parceria entre a Secretaria de Estado da Cultura e o Consulado do Japão. A exposição apresenta a reinterpretação de trabalhos do genial artista Toshusai Sharaku feita por designers gráficos e artistas contemporâneos duzentos anos depois de seu tempo.
A mostra traz o trabalho de 28 designers gráficos e 11 artistas japoneses, que apresentam oitenta e um trabalhos baseado na obra de Toshusai Sharaku. A exposição está dividida em três grandes seções: uma com reproduções de Sharaku, com 28 trabalhos; outra intitulada ''Sharaku na Arte Gráfica'', também com 28 obras; e ''Tributo a Sharaku'', com 25 trabalhos. Nessa última seção estão também objetos, esculturas e cerâmicas. Cada artista construiu suas próprias estratégias para lidar com o tema, criando reinterpretações a partir de seus pontos de vista contemporâneos. As feições deformadas e expressões exageradas vistas nos retratos e bustos de Sharaku eram reforçadas por um olhar inclemente, que poderia, de forma dinâmica, fixar a realidade em apenas um instante.
Sharaku nasceu em Edo, no Japão, há cerca de dois séculos. Depois de ter criado 140 trabalhos em apenas dez meses, de maio de 1794 a fevereiro de 1795, o artista desapareceu subitamente. A maioria das suas gravuras era de retratos de atores em seus papéis Kabuki ou Kyogen do teatro Nô japonês, outras incluem imagens de guerreiros e lutadores de sumô. Vinte e oito retratos grandes, mostrando closes de cabeças de atores impressas em profusão de cores foram as mais apreciadas de suas obras.
Enquanto seus precursores retrataram apenas cabeças ou retratos de bustos, Sharaku ousadamente capturou as feições de cada ator e as características de seu papel por meio de uma observação aguçada e impressionante expressividade realística. No curto período de sua carreira, Sharaku passou de um estilo para o seguinte, de retratos de corpo inteiro de atores, em formato estreito, para obras com sequências e imagens de fundo claramente representadas.
Ignorado por mais de cem anos, o artista foi redescoberto pelo alemão Julius Kurth, que lançou uma publicação sobre o artista em 1910. O enigma com respeito à identidade de Sharaku ainda não foi revelado, alguns acham inclusive que ele era um artista famoso que adotou esse nome por um período limitado. Suas obras estão dispersas por todo o mundo, inclusive nos acervos do British Museum, do Art Institute of Chicago e do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque. Poucas obras permanecem no Japão, sendo que 27 retratos de bustos de atores que pertencem ao acervo do Tokyo National Museum foram tombados como Patrimônio Cultural do Japão. Todos os trabalhos de Sharaku foram publicados pelo editor Tsutaya Juzaburo.
Serviço:
Sharaku Revisitado, de hoje a 9 de fevereiro, na Casa Andrade Muricy (Rua Dr. Muricy, 915 - Centro), em Curitiba. Terça a Domingo das 10 às 20 horas. Entrada franca.

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