Tributo ao mestre do choro
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quarta-feira, 09 de janeiro de 2019
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Antes relegado à posição de um mero instrumento de acompanhamento, o bandolim ganhou o posto de solista desde que o compositor, bandolinista e pesquisador Jacob Pick Bittencourt - mais conhecido como Jacob do Bandolim (1918-1969) - despontou no cenário musical brasileiro. Com seu estilo único marcado pelo virtuosismo autodidata, o carioca que passou a ser merecidamente chamado de Mestre do Choro, acaba de ganhar um CD tributo que comemora o centenário de seu nascimento.

Trata-se do álbum "Jacob do Bandolim 100 anos - Sentimento & Balanço". Produzido por Henrique Cazes e Carlos Alberto Sion, o disco reúne duas gerações de bandolinistas que foram influenciados pela obra do homenageado. Fábio Peron, de 28 anos, e Joel Nascimento, de 80, interpretam 12 canções que compilam clássicos como "Assanhado", "Doce de Coco", "Noites Cariocas", "Santa Morena" e "Gostosinho", entre outros.
Jacob do Bandolim era conhecido pela sua maneira única de tocar o instrumento, desde o manuseio da palheta, que depois passou a ser usada pela maioria dos bandolinistas que o seguiram, até o estilo de composição e interpretação. Segundo o músico e escritor Henrique Cazes, que assina a produção do CD tributo "essa maneira de tocar decorre da influência dos solistas da primeira metade dos anos 1930 (como Luís Americano, Benedito Lacerda), do contato com músicos portugueses e da admiração pelo bandolinista Cincinato do Bandolim, que integra nos anos 1940 um dos conjuntos formados por Pixinguinha e funda uma escola cujo maior discípulo é o bandolinista Joel Nascimento", pontua.
Editado pelo Sesc Sesc, o álbum que conta com as participações especiais de dos músicos Marco Nimirichter, Rogério Caetano e Silvério Pontes foi elogiado pelo jornalista e crítico musical Tárik de Souza. "Nos bandolins centrais, dois virtuoses de gerações diferentes, o carioca Joel Nascimento, 80, ilustríssimo discípulo de Bandolim, e o jovem paulistano Fábio Perón, 28, filho dos músicos Vera Cury e Ítalo Perón, que atuou no lendário conjunto de choro de Izaías Bueno de Almeida e ostenta dicção própria, como se ouve nas doze pepitas de várias épocas do autor celebrado por este estupendo disco", comentou.
O envolvimento de Jacob do Bandolim com a música começou ainda na infância, quando aprendeu a tocar gaita de boca. Aos 12 anos começou a tocar violino, mas não se adaptou ao instrumento, substituindo-o pelo bandolim. Com 15 anos já se era um músico profissional. Autodidata, passou a dedica-se ao choro, influenciado pelo clarinetista Luís Americano.
Em 1941, participou da gravação de "Leva Meu Samba", canção de autoria de Ataulfo Alves, e "Ai que Saudades da Amélia", de Ataulfo Alves e Mário Lago. Gravou seu primeiro disco em 1947, pela Continental, com o choro de sua autoria "Treme-Treme" e a valsa "Glória", de Bonfiglio de Oliveira. No ano seguinte lança sua valsa "Salões Imperiais" e o choro "Flamengo", de Bonfiglio de Oliveira. O sucesso desse disco faz ressurgir seu interesse pelo bandolim.
De 1947 até a sua morte registrou cerca de 300 gravações, parte delas lançadas em 78 rotações pela antiga gravadora RCA-Victor. O jornalista João Máximo, autor de uma pequena biografia sobre Bandolim, escreveu que ele era um guerreiro, um quixotesco guerreiro, que assinava o atestado de óbito do choro e ao mesmo tempo ia para as ruas bradar contra os modernizadores do gênero.
Serviço:
CD Jacob do Bandolim 100 anos - Sentimento & Balanço
Gravadora - Selo Sesc
Preço Sugerido - R$ 20


