A passagem dos 200 anos de nascimento de Franz Liszt (1811-1886) será festejada oficialmente em outubro, mas as comemorações da efeméride já estão em pleno curso, como revela a programação artística do 31º Festival de Música de Londrina, que traz hoje um tributo ao compositor e pianista húngaro.
A homenagem consiste em um recital com participação do casal de pianistas Fábio e Gisele Witkowski em companhia da soprano Kalinka Damiani. A apresentação começa às 18h15 no Teatro Zaqueu de Melo, com a interpretação de prelúdios para piano a quatro mãos, sonetos de Petrarca para canto, além de peças para piano solo.
Gênio do século 19, Lizst levou anos para ter sua obra reconhecida pelos críticos mais rigorosos. Muitos o consideravam um compositor menor, um diluidor extravagante e criador de uma obra irregular recheada de concessões à platéia. ''Sou apenas um humilde servidor do público'', dizia ele quando interrogado por que tocava sempre as mesmas músicas.
Menino prodígio, Lizst encantou platéias já em seus primeiros concertos, aos 7 anos de idade. Durante sua formação, foi influenciado pelo violinista italiano Niccoló Paganini e pelo pianista polonês Chopin, tornando-se um sedutor dos palcos ao unir o magnetismo arrebatador do primeiro ao tom poético do segundo.
Boa parte de sua biografia sugere comparações com a de astros da música pop de hoje em dia. Galã do romantismo, levava as mulheres ao delírio durante os concertos - algumas entravam em transe histérico, outras desmaiavam. Diz a lenda que após seu primeiro recital na cidade de Lyon, na França, um multidão o teria escoltado até a porta de hotel em que se hospedara aos gritos de ''viva o rei!''.
Conquistador, teve sucessivas mulheres ao longo dos anos numa lista que inclui a bailarina espanhola Lola Montés, a princesa Meyendorff, Marie Duplessis (a ''Dama das Camélias'' imortalizada no romance de Alexandre Dumas), Olga Yanina (que tentou matá-lo e depois matar-se) e a condessa de Agoult (que abandonou o marido para viver com o compositor, com quem teve três filhos, um dos quais Cosima, que viria a ser a última mulher do compositor Richard Wagner).
Apaixonou-se perdidamente pela princesa ucraniana Carolyne de Sayn-Wittgenstein, com quem sonhava em se casar até a família da moça impedir o enlace. O fim do caso, somado à morte do pai, derrubou emocionalmente o compositor e o levou à depressão e à posterior conversão religiosa. De amante invejado, Liszt virou padre e passou a se dedicar à música compondo algumas de suas peças mais atrevidas para a época.
Há quem o veja como um precursor do impressionismo, antecipando o esquema harmônico de Debussy e técnicas usadas por Ravel. Há ainda quem aponte sua influência sobre Bartók. Um consenso entre os críticos é de que Lizst ampliou os recursos expressivos do piano, fazendo dele uma miniorquestra.
Serviço
Recital ''Lisztmania'' com Duo Witkowski e Kalinda Damiani
Quando - Hoje às 18h15
Onde - Teatro Zaqueu de Melo (Av. Rio de Janeiro, 413)
Ingressos - R$ 15,00 (inteira) e R$ 7,50 (meia)

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