Tributo a Cassavetes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de março de 2010
Antonio Gonçalves Filho<br> Agência Estado 
Os EUA da beat generation e do free jazz encontraram na figura do ator e diretor John Cassavetes (1929-1989) seu melhor intérprete. Graças a esse espírito vanguardista, Cassavetes, o pai dos cineastas independentes, provocou uma mudança de rota brutal no cinema americano. Ele está sendo homenageado pelo selo Cinemax (Continental) com duas caixas de DVDs que trazem cinco de suas principais obras. Na primeira estão seu filme de estreia, ''Sombras'' (1959), ''Faces'' (1968) e ''A Morte de Um Bookmaker Chinês'' (1976). A segunda caixa reúne ''Uma Mulher Sob Influência'' (1974) e ''Noite de Estreia'' (1976).
Visionário, Cassavetes assumiu a tarefa de documentar (em 16 milímetros, preto e branco e um orçamento liliputiano de US$ 40 mil) a emergência de uma nova América nos anos 1950. Há meio século ele ousou filmar relações inter-raciais quando o assunto era tabu nos EUA, tendo como pano de fundo a cena jazzística em Manhattan e a desesperança da geração beat. Sombras mostra três irmãos afro-americanos lutando para realizar projetos pessoais que parecem fadados ao fracasso.
Em ''Faces'', Cassavetes não se mostra menos pessimista. Aqui, ele fala da falência de um casamento de 14 anos num país que mergulhava numa guerra suja (a do Vietnã) e testemunhava o advento da filosofia hippie. Completa a primeira caixa o terceiro título, ''A Morte de Um Bookmaker Chinês'', noir fragmentado sobre o proprietário de um clube noturno forçado a cometer um crime.
A segunda caixa traz como protagonista a mulher do diretor, Gena Rowlands, em duas obras-primas de Cassavetes. Em ''Uma Mulher Sob Influência'', ela interpreta uma dona de casa de classe média baixa. Já em ''Noite de Estreia'', Gena é promovida à condição de diva do teatro. Em ambos os casos, porém, as duas mulheres estão à beira de um ataque de nervos. Dois exemplos da sensibilidade de um autor independente e acima da média.


