TRIBUTO - Um livro peso pesado
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 21 de setembro de 2004
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba É um sonho para poucos. Com o mesmo valor daria para comprar um carro popular usado, mas não tão velho assim; quase mil CDs ou duas passagens de ida e volta para Londres. Doze mil, novecentos e noventa reais é o preço do livro ''Goat - A Tribute to Muhammad Ali'', um dos livros mais pesados do mundo. Um dos poucos exemplares da obra, que tem tiragem limitada, está à venda nas Livrarias Curitiba, na Capital.
O livro tem 34 quilos, o que torna difícil manusear sozinho as suas mais de 800 páginas com bordas douradas. Publicada pela editora Taschen, a edição de luxo levou mais de quatro anos para ser concluída. Mostra a vida e a carreira do campeão mundial de boxe Muhammad Ali e traz mais de 3 mil fotografias, além de texto (em inglês), desenhos e material gráfico das mais de duas décadas de lutas do boxeador.
Muhammad Ali nasceu Cassius Marcellus Clay. Recebeu esse nome em homenagem a um dos primeiros ativistas negros norte-americanos. Em 1967, quando se converteu ao islamismo e já era destaque mundial do boxe, adotou o nome de Muhammad. O livro mostra como ele se transformou num dos maiores lutadores do mundo.
Em 1960, quando ainda se chamava Cassius, o boxeador ganhou a medalha de ouro olímpica. Quatro anos depois, invicto como profissional, ele enfrentou e venceu Sonny Liston pelo cinturão da categoria peso pesado. A partir daí, foi uma sucessão de vitórias. Mas no final da década de 60, Ali se recusou a atender a convocação do exército norte-americano para lutar no Vietnã. A decisão fez com que o atleta perdesse todos os seus títulos e fosse condenado a cinco anos de prisão.
O episódio está retratado no livro com uma foto, de Carl Fischer, baseada no quadro ''The Martyrdom of St. Sebastian'' (O Martírio de São Sebastião), de Andrea del Castagno. A fotografia, que mostra Ali com diversas flechas pelo corpo, foi tirada com a intenção de representar a recusa de Ali a lutar pelos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Ele não chegou a ser preso, mas além de perder seus títulos, foi obrigado a pagar uma multa de US$ 10 mil ao governo americano.
O dinheiro, no entanto não representava exatamente uma dificuldade para o lutador. Ali ficou famoso pelas grandes bolsas que recebia em cada luta. Na derrota para Joe Frazier, em 1971, por exemplo, consta que ele recebeu nada menos que US$ 2,5 milhões. Três anos depois, a vitória contra o mesmo lutador rendeu US$ 2,6 milhões. No mesmo ano, teria recebido ainda mais US$ 5 milhões na vitória sobre George Foreman. A luta aconteceu no dia 30 de outubro de 1974, no Zaire, três anos depois da volta oficial do lutador aos ringues. Na disputa, Muhammad Ali derrubou Foreman com um torpedo de direita, no oitavo assalto, recuperando o título mundial.
Em 21 anos de boxe, Ali disputou 61 combates. Sua última luta aconteceu em 12 de dezembro de 1981, quando o boxeador perdeu para Trevor Berbick. Em 1984, aos 42 anos, o lutador foi internado com graves sintomas de Mal de Parkinson . O fato de ser portador da doença tornou-se público em 2001, quando o atleta participou da cerimônia de abertura das Olimpíadas de Atlanta, acendendo a tocha olímpica.
''Goat - A Tribute to Muhammad Ali'' recupera os anos dourados de um dos maiores lutadores do mundo. Além de contar a história das suas principais lutas, a obra relata as situações vividas ao lado de amigos, treinadores, sparrings, corner-mens, líderes espirituais, jornalistas, familiares e filhos do atleta. O livro tem edição limitada de 10 mil cópias. Veio para Curitiba a pedido de um colecionador, cujo nome não foi divulgado pela livraria. Mas a obra ainda não foi vendida e está a espera de uma proposta, já que o exorbitante valor pode ser parcelado.


