A data exata foi comemorada no dia 30, mas os 80 anos do poeta Thiago de Mello ainda repercutem pelo País. Além do lançamento do CD ‘‘A Criação do Mundo’’, no dia 19 ele deverá ser homenageado com uma sessão solene da Câmara dos Deputados. A euforia busca contornar os limites impostos pela idade.
  No disco, constam poemas que expressam todas as fases do poeta. Os destaques são os inéditos ‘‘Amor sem Fim’’, ‘‘A Lição das Águas’’, ‘‘A Criação do Mundo’’ interpretado pelo jornalista Armando Nogueira e o clássico ‘‘Os Estatutos do Homem’’, escrito em abril de 1964, quando Thiago de Mello era adido cultural da embaixada do Brasil no Chile e amigo de Pablo Neruda.
  Amazonense de nascimento, ele sempre foi um defensor da natureza. ‘‘Para fazer algo em defesa da humanidade é preciso, em primeiro lugar, que cada um de nós tente persuadir pelo menos um companheiro, que cada um de nós faça qualquer coisa por este planeta Terra tão degradado’’, afirmou, durante a Feira Internacional do Livro de Havana, no ano passado. ‘‘A Terra flutua hoje no espaço como um pássaro em extinção.’’
  O interesse sempre norteou a carreira do poeta, que largou a faculdade de medicina para seguir a literatura e lançar, aos 25 anos, seu primeiro livro de poemas, ‘‘Silêncio e Palavras’’. Lançou diversas obras até ser exilado em 1964, quando esteve na Argentina, Portugal, França, Alemanha e Chile. Nessa época de repressão militar, tornou-se famoso um verso seu, que dizia: ‘‘Faz escuro mas eu canto’’. Retornou ao Brasil em 1978, quando seu nome já era conhecido internacionalmente por lutar pelos direitos humanos, ecologia e paz mundial.

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