As bancas tradicionais já não oferecem tudo o que está pipocando por aí em matéria de HQs. Quem quiser adquirir títulos de qualidade, tem agora que visitar as revistarias ou lojas especializadas no gênero, únicos pontos de venda de editoras de pequeno e médio porte.
No Paraná, a curitibana Itiban e a londrinense Batbanca tornaram-se locais privilegiados para encontrar lançamentos de companhias como Opera Graphica, Conrad, Via Lettera, JBC, Brainstore e Pandora Books. Curiosamente, ao bater o olho no catálogo dessas editoras, a impressão é de que nem existe uma crise no mercado tal a profusão de lançamentos.
A impressão é reforçada pela febre dos mangás que, por aqui, parece contaminar cada vez mais gente. Dois deles são comentados nesta página, ao lado de outros títulos recém-lançados.
Frauzio
Você vira a capa e topa de cara com o nosso herói, de pé, diante da televisão. Com uma mão, ele segura o controle remoto. Com a outra, uma fita de vídeo que estampa o título Taradas no Necrotério. O balão traz a silhueta de uma morena curvilínea.
É só a primeira página de Frauzio (Escala), a mais nova publicação de Marcatti, um dos grandes nomes do quadrinho underground nacional. O título terá periodicidade mensal e será distribuído em todas as bancas do país, rompendo o círculo reduzido de leitores que sempre marcou a trajetória do autor.
O estilo escatológico e as situações bizarras, suas marcas registradas, continuam presentes. Frauzio vai trazer, a cada edição, uma história completa do personagem-título. Nas bancas, a R$ 1,00.
Guerreiras Mágicas de Rayearth
Depois de conquistar fãs como anime, As Guerreiras Mágicas de Rayearth (JBC) chegam às bancas brasileiras em sua versão original de mangá. Direcionado para o público feminino, o lançamento obedecerá ao formato editorial nipônico com leitura da direita para a esquerda.
No número de estréia da série, as meninas Lucy, Marine e Anne fazem uma visita escolar à Torre de Tokyo e subitamente são transportadas para um outro mundo - chamado Zefir - onde descobrem que são as lendárias Guerreiras Mágicas. Convocadas pela princesa Esmeralda, elas têm como missão salvar aquele universo da destruição enfrentando monstros e os servos do vilão Zagard. A saga é mais uma criação do estúdio Clamp, o mesmo de X e Sakura Card Captors.
Video Girl Ai
Video Girl Ai (JBC) destaca-se, de cara, pelos traços dos desenhos de Masakazu Katsura. Apesar de sua versão animada jamais ter sido exibida no Brasil, muita gente conhecia a história e já aguardava seu lançamento nas bancas.
O mangá conta as desventuras de Youta Moteuchi, um garoto tímido que não consegue se declarar para a garota que é apaixonado (Moemi) e vive consultando um manual para saber que atitude deve tomar. Um dia, ele aluga uma fita de vídeo e acaba surpreendido com o impensável: a protagonista do filme simplesmente salta da tela em sua direção.
É a jovem Ai (amor, em japonês), um ser de energia que tem como missão servir a homens solitários. Daí em diante, os dois envolvem-se em situações hilariantes temperadas por uma sensualidade ingênua.
Hagar - o Horrível
O mais famoso viking dos quadrinhos pulou das tiras para o gibi. Hagar - O Horrível (Opera Graphica) acaba de chegar às bancas em formato de bolso, inaugurando a coleção de revistas King Comix. A cada edição, os leitores serão brindados com um importante personagem da King Features, a mais tradicional agência distribuidora de tiras do planeta,
Além do navegador que barbariza pelo Novo e Velho Mundo, a coleção vai lançar no país figuras como Recruta Zero, Mandrake, Popeye e Sobrinhos do Capitão. Para garimpar o material, a editora optou por trazer histórias inéditas publicadas a partir de 1993, data em que a maioria das séries deixou de ser coletada em revistas no Brasil.
A edição de Hagar só apresenta páginas dominicais reunindo dois anos da produção de Chris Browie, o atual autor da série, filho de seu criador Dik Browne.
Front
Duas questões foram marteladas nas cabeças dos criadores: Somos artistas? e Estamos em uma democracia?. A partir delas, os artistas partiram para a prancheta e desenvolveram as HQs para a coletânea Front 7 - Muy Viejo To Comix Muito Jovem To Die (Via Lettera), que chegou há poucas semanas às bancas.
O time de participantes cabe num ônibus. Só de quadrinhistas entraram Guazelli, Spacca, Marcelo de Andrade, Maringoni, Wander Antunes, Maxx, Gustavo Machado, Kipper, Ducca, Caco Xavier, Custódio, Cau Gomez, Galhardo, Fábio Zimbres, Bueno e Jal. Além deles, há colaborações de Faoza, Orlandelli, Jorge Arbach, Darisbo, Garcia, Arthur de Carvalho, Orlando e Galvão.
Também contribuíram figuras ilustres da imprensa e da literatura brasileira como Moacyr Scliar, Drauzio Varella, Bárbara Gancia e Aloisio Biancarelli.

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