Os Waiãpi, em sua representação mítica, afirmam que são os únicos humanos verdadeiros. Se os Waiãpi forem exterminados, toda a humanidade também será. Eles se sentem mais civilizados do que os brancos. Nessa sociedade, é preciso partilhar normas comuns de reciprocidade e de etiqueta até para ser inimigo. Para eles, há dois tipos de brancos: os perigosos e os divertidos.
Os yanomami, que ganharam repercussão internacional pela luta da demarcação de terras e pelo discurso ambientalista, têm na figura dos brancos uma espécie de canibal que assombra o imaginário do povo Yanomami.
Os Desana tem em seu universo da mitologia da origem da humanidade, a história que a identidade de branco foi determinada por sua capacidade de usar a espingarda que o Criador apresentou a todos os ancestrais da humanidade. Dominique Buchillet, ao analisar o grupo indígena Desana, apresenta um estudo das representações xamânicas de doenças infecciosas como a varíola, sarampo, gripe e malária, todas introduzidas pelos brancos, mas não, necessariamente atribuídas a eles. A malária, segundo os Desana, é considerada doença do universo ou resultado de feitiçaria xamânica.
Já os Waimiri-Atroari explicam as epidemias que esfacelaram a população indígena foi interpretada como forma de feitiçaria dos civilizados. ''De noite, no escuro, havia muitos espíritos de civilizados na maloca. Os civilizados são bravos, matam. Matam com veneno, dores em nossos corpos, veneno'', declarou um índio da aldeia.
Os Waiwai, com aproximadamente 1.600 pessoas, com um controle rígido de natalidade, vêem na superpopulação de cidades regionais como Boa Vista e Manaus como resultado de um comportamento imaturo e descuidado dos brancos locais.
Mas nem tudo recai na vala da assimilação ou releitura. Os índios continuam sendo explorados de diversas formas. Os Matis, da Amazônia, modificaram parte de sua tradição pictórica em função do assédio dos brancos. Eles se enfeitam o rosto com penas de arara apenas quando vêem uma câmera fotográfica. As máscaras dos espíritos ancestrais, anteriormente afastadas dos olhares dos forasteiros, hoje são vendidas e até modificadas para ficar mais ao gosto do freguês. Os Matis já foram filmados por equipes de cineastas brasileiros, japoneses, franceses, italianos e britânicos. Recentemente, um índio Mati reclamou da revista Time que utilizou sua imagem sem sua autorização.(F.F.)

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