Mais um remake chega às telas. Estréia hoje nos cinemas brasileiros ‘‘Um Crime Perfeito’’, refilmagem do clássico ‘‘Disque M para Matar’’, dirigido por Alfred Hitchcock, em 1953. Esta nova versão traz nos papéis principais Michael Douglas, Gwyneth Paltrow e Viggo Mortensen. Juntos, eles formam um triângulo amoroso entre pessoas que, aparentemente, se amam e se odeiam umas às outras ao mesmo tempo. Como era de se esperar, a crítica norte-americana não gostou deste trabalho dirigido por Andrew Davis. Mesmo assim, o filme não chegou a ser prejudicado nas bilheterias, chegando a faturar US$ 16 milhões em seu primeiro fim de semana nos Estados Unidos.
Na verdade, a refilmagem de clássicos está se tornando muito comum em Hollywood, o que não deixa de ter uma certa dose de oportunismo. Na falta de bons roteiros, muitos produtores estão recorrendo às receitas que deram certo no passado, porém, nas mãos de grandes diretores. O fiasco da maioria dos remakes produzidos ultimamente demonstra que não basta uma boa história para um filme dar certo, é preciso ter gente talentosa por de trás das câmeras. Exemplos não faltam. As refilmagens de ‘‘Sabrina’’, ‘‘Professor Aloprado’’ e ‘‘Tarde Demais para Esquecer’’ não obtiveram o sucesso esperado e caíram no esquecimento assim que saíram de cartaz.
Agora, as lentes dos grandes estúdios se voltaram para o mestre do suspense. Hitchcock é a nova vítima dos executivos hollywoodianos. Em dezembro deve estrear nos Estados Unidos o remake de ‘‘Psicose’’, dirigido por Gus Van Sant, um cineasta que, na época de Hitchcock, era um adolescente às voltas com suas rebeldias. Mas enquanto ‘‘Psicose’’ não chega por aqui, o público pode conferir ‘‘Um Crime Perfeito’’ e fazer sua própria comparação com ‘‘Disque M para Matar’’ que se tornou famoso por conter uma das mais curiosas sequências de assassinato da história do cinema.
O filme original conta a história de um campeão de tênis (Ray Milland) que planeja o assassinato de sua mulher (Grace Kelly). Em ‘‘Um Crime Perfeito’’, o famoso tenista cedeu lugar a um ambicioso corretor da Bolsa de Valores de Nova York, vivido por Michael Douglas. A atriz Gwyneth Paltrow faz a bela e milionária esposa que tem um caso com David (Viggo Mortensen), um jovem pintor que esconde um passado misterioso. Ao descobrir que está sendo traído, o marido planeja, com a ajuda do amante, o assassinato da esposa. No original, a história se passa em Londres, nos anos 50. No remake, a trama foi transferida para a Nova York dos anos 90 para dar mais veracidade ao clima de ganância retratado no filme.
O elenco atual não deixa muito a desejar ao de ‘‘Disque M para Matar’’. Além de Michael Douglas que dispensa apresentação, Gwyneth Paltrow é uma grande atriz que se destacou em ‘‘Seven’’, ‘‘Emma’’ e no recente ‘‘Grandes Esperanças’’. Viggo Mortensen é pouco conhecido do público, mas teve atuações marcantes em ‘‘Unidos pelo Sangue’’, dirigido por Sean Pen e em ‘‘Um Retrato de Mulher’’, de Jane Champion.
O mesmo não se pode dizer do diretor Andrew Davis. Dos vários filmes que realizou, o único que realmente merece atenção é ‘‘O Fugitivo’’, que se tornou a quarta maior bilheteria da história da Warner Bros e deu a Tommy Lee Jones o Oscar de melhor ator coadjuvante. Muito pouco para credenciá-lo a refilmar uma obra de Alfred Hitchcock. Para quem estiver interessado em um exercício cinematográfico, uma boa dica é ir ao cinema assistir a ‘‘Um Crime Perfeito’’ e depois retirar nas locadoras o clássico hitchcockiano para comparar os dois filmes e tirar as próprias conclusões.

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