Três vezes Guaíra em noite inspirada
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
Joel Gehlen De Curitiba Especial para a Folha2 
O Balé do Teatro Guaíra está em cartaz até amanhã, no Guairão, em Curitiba. Depois viaja em turnê pelas principais capitais do Nordeste. O programa composto por três balés - Ao Luar, de Tíndaro Silvano; Treze Gestos de um Corpo, de Olga Roriz, e O Segundo Sopro, de Roseli Rodrigues -, estreou quinta-feira com aprovação absoluta da platéia. É um espetáculo montado a dedo para mostrar ao país o novo BTG, após as reestruturações feitas pela nova diretora da companhia, Suzana Braga. O grupo está bonito, jovem, pulsante, cheio de energia e dançando afinadíssimo.
A peça de Tíndaro Silvano é moderna e enxuta, numa justeza exata da musculatura das belas bailarinas ao figurino concebido por Paulinho Maia. A dança brinca muito bem-humorada com a música Sonata ao Luar, de Beethoven, executada ao vivo pelo pianista Luís Neri. O espetáculo acompanha o andamento musical até levar à tensão extrema dos corpos, como as próprias marteladas do piano, seguindo a velha tradição de que na música de Beethoven as notas devem parecer pular fora da partitura. É um balé que apresenta a nítida opulência do elenco feminino do BTG.
O número seguinte, Treze Gestos de um Corpo, é uma remontagem da coreografia criada há 10 anos pela portuguesa Olga Roriz para o Guaíra. É um balé deslumbrante, também com uma linguagem moderna e cenografia que é um verdadeiro arpão fisgando, definitivamente, a platéia, desde o primeiro despertar da luz em que treze corpos disparam o mesmo gesto de abrir sua portinhola e avançar. São muitas as leituras destes corpos que estão a todo momento se desvencilhando das diferentes situações do espírito, como se a roupa fosse a própria pele. É a vez do elenco masculino exibir-se na sua plenitude.
O Segundo Sopro é a confirmação de um sucesso absoluto e, ao que tudo indica, duradouro da coreografia de Roseli Rodrigues, que estreou em dezembro do ano passado, na festa de comemoração aos 30 anos da companhia e dos 25 anos do Guairão. Na ocasião, atraindo um público recorde para a dança no auditório do Guairão na temporada. A dança de Roseli Rodrigues é audaciosa e lírica. Enquanto faz os corpos se transportarem por eixos transversos, mantém o público suspenso nas nuvens. A música - composta especialmente para o espetáculo por Fábio Cardia - é um elemento poderoso nesse sentido.
O maior efeito a coreógrafa arranca ao pôr os bailarinos - literalmente - para dançarem na chuva. Com uma cascata sobre o palco, o linóleo transforma-se em piscina onde as formas ondulantes deslizam em seu ápice. O resultado de tudo isso, é um espetáculo de calar o fôlego e tanger a alma da platéia, que deságua em caudalosa ovação ao final.
Dia 12 de maio, a companhia é tema de um especial na TVE Brasil, em cadeia nacional, abrindo uma série de 10 programas com todas as grandes companhias de dança brasileiras.


