Três projetos ficam de fora de edital de cinema
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Juliana Gragnani<br>Folhapress 
São Paulo - Três filmes que haviam sido contemplados no ano passado por um edital para produções de baixo orçamento da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura não entraram na nova seleção, publicada no "Diário Oficial" de terça-feira. O edital havia sido reaberto em fevereiro.
Com uma verba total de R$ 12 milhões a dez contemplados, o resultado do edital chegou a ser publicado no "Diário Oficial" em julho do ano passado, mas teve de ser refeito porque descumpriu critério de cota regional. Entre o anúncio da primeira seleção e o anúncio dos novos projetos contemplados, houve um intervalo de quase um ano.
Os projetos "Bestiário", de Carlos Dowling (PB), "Mãe Só Há Uma", de Anna Muylaert (SP), e "Nerds Versus Zumbis", de Alê Machado (SP), ficaram de fora da nova seleção. Os projetos foram substituídos por "Eu Te Levo" (SP), "Em 97 Era Assim" (RS) e "Amores Líquidos" (PA).
O edital estabelecia o máximo de três projetos por região, além de um teto de dois por Estado. Entre os dez selecionados no ano passado, no entanto, havia quatro do Sudeste (sendo três de São Paulo) e outros quatro do Nordeste.
Na época, segundo proponentes, o júri havia alegado falta de qualidade em filmes de regiões que deveriam ser contempladas. O descumprimento de critérios foi autorizado pelo Ministério da Cultura, que depois voltou atrás.
Produtores e diretores dos dez filmes inicialmente contemplados enviaram carta à ministra da Cultura, Marta Suplicy, em fevereiro deste ano, exigindo um diálogo sobre o processo e, naquele mês, tiveram uma reunião com Leopoldo Nunes, secretário do Audiovisual, para discutir a nova seleção e problemas que poderiam surgir.
O edital, que repassa R$ 1,2 milhão por filme, estabelece um teto de R$ 1,8 milhão por projeto - isso impediu que proponentes buscassem incentivo de outros editais, enquanto achavam que haviam sido contemplados com o edital de baixo orçamento.
Proponente de "Bestiário", Dowling pretende entrar com um recurso contra o resultado da seleção, dentro do prazo de cinco dias estabelecido pelo edital. "Decidirei se é o caso de entrar com uma ação judicial de acordo com a posição que tiver da secretaria", diz. "Existiu um grande problema de comunicação por parte da secretaria com os contemplados. Continua existindo, aliás, porque não estava sabendo do resultado até agora [14h desta terça-feira (11), quando a Folha entrou em contato com o diretor]."
"Acho ridículo. Não pretendo entrar com ação judicial porque o tempo é prolongado. Eu desisto. Tentarei editais mais sérios", diz Machado, do filme "Nerds versus Zumbis".
Muylaert, criadora de "Mãe Só Há Uma", por sua vez, diz estar insatisfeita, mas ainda assim tentará o mesmo edital no ano que vem. "O MinC deveria ter dado uma solução em que ninguém saísse perdendo, contemplado os dez do ano passado e os outros que tinham que entrar, ou dando algum tipo de compensação", afirma. "Ganhar e depois perder é deprimente, você organiza sua vida para isso. É como sofrer um aborto no final da gravidez."
O MinC afirma que não haverá compensação para projetos que não foram contemplados.


