Três paranaenses concorrem ao Jabuti em outras categorias
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sábado, 05 de junho de 2004
Liliana Onozato e Ana Paula Nascimento<br>Reportagem Local 
O ''vir-a-ser'' do texto, mostrando todo o processo de criação literária, é o grande diferencial que deve ter definido a classificação do livro ''Pedro Nava e a Construção do Texto'', de Edina Panichi e Miguel Luiz Contani, entre os dez finalistas do Prêmio Jabuti 2004 na categoria Teoria/Crítica Literária.
''Pedro Nava foi um grande memorialista e tinha o desenho como recurso de memória. O nosso trabalho de pesquisa fez aquilo que é considerado 'crítica genética', que estuda os manuscritos literários, definidos como 'gênese da criação'', destaca Edina para quem o livro consegue desmistificar a idéia de que o texto ''nasce pronto''. Ela está otimista com relação à conquista do prêmio.
Os autores são professores da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O livro foi publicado em 2003, por ocasião do centenário de Pedro Nava, memorialista brasileiro morto em 1984, e editado em parceria pela Eduel (Editora da Universidade Estadual de Londrina) e Ateliê Editorial. A obra é o resultado de três anos de pesquisa em torno dos arquivos utilizados pelo escritor mineiro, médico, introdutor da reumatologia como especialidade no Brasil, que começou a carreira literária somente aos 65 anos de idade, com ''Baú de Ossos'', em 1968.
Outro autor do Paraná que concorre ao Jabuti é Marcione Pereira dos Santos. O bem de família, enquanto instituto de caráter social e essencial à estabilidade do Estado, foi o tema que instigou o advogado de Cianorte (80 km a leste de Umuarama) e professor de Direito da Faculdade Maringá a se debruçar sobre o assunto que deu origem à sua disssertação de mestrado e à publicação do livro ''O bem de família: voluntário e legal'', lançado em maio do ano passado, pela editora Saraiva.
No início deste ano, sua obra foi inscrita para concorrer ao Prêmio Jabuti, na categoria Melhor Livro de Economia, Administração, Negócios e Direito, sendo classificada entre os dez de sua categoria, na prévia realizada neste mês. De acordo com o autor, no dia 5 de julho haverá outra seleção que indicará três, entre os já selecionados.
''O instituto jurídico torna impenhorável parcela do patrimônio do casal por dívida dos cônjuges, dada sua função social: resguarda a dignidade dos integrantes da família, não permitindo que as pessoas fiquem desabrigadas por dívidas'', revela o autor. Segundo Marcione, tais isenções recaem principalmente sobre o imóvel em que reside a família e os móveis que guarnecem a residência. ''Com o exercício da profissão fui deparando-me com diversos casos dessa natureza, daí surgiu a interesse de trabalhar esse assunto'', diz Marcione, que é graduado em Direito pela Universidade Estadual de Maringá e mestre em Direito Civil pela mesma universidade.
O autor mostra-se completamente satisfeito com a pré-classificação de seu livro: ''O fato de ter sido selecionado entre os dez da minha categoria já é grande satisfação. O que vier daqui para a frente só irá acrescentar'', finaliza.


