Três novos CDs de choro chegam ao mercado15/Mar, 15:25 Por Mauro Dias São Paulo, 15 (AE) - Surge, com três lançamentos belíssimos, o primeiro selo fonográfico dedicado exclusivamente ao choro. É o Acari Records, criado por especialistas do gênero - o violonista Maurício Carrilho, a cavaquinhista Luciana Rabello e o produtor João Carlos Quirino. São nomes da geração chorona (leia-se: gente que toca choro, samba, valsa, enfim, os modos urbanos da música instrumental) surgida nos anos 70, egressos da escola (informal) de Radamés Gnattali, estudiosos, dedicados, de sólida formação musical, virtuoses. São, ainda, fundamentais pesquisadores da música brasileira e nomes dos mais requisitados para gravações ou shows em que a música brasileira seja assunto. Por falar em pesquisa: procurando em arquivos públicos e particulares cariocas, eles localizaram nada menos do que 1,3 mil autores de choro nascidos antes de 1900 (é isso mesmo, até o fim do século passado), responsáveis por um repertório de mais de 7 mil peças - polcas, valsas, quadrilhas, xotes, gêneros que compõem o universo do choro. Prentendem gravar o que descobriram. Para a estréia, o Acari Records (acari é o nome, palavra tupi, de um peixe que limpa os rios) preparou o primeiro disco-solo de Luciana Rabello. Leva o nome da grande cavaquinhista, irmã de Rafael Rabello, com quem estreou na música, em 1976, integrando o conjunto Os Carioquinhas (do grupo participa, no disco, o grande pandeirista Celsinho Silva, filho de Jorginho Silva, pandeirista da melhor raça). Luciana Rabello, no disco, revela uma face desconhecida da grande instrumentista: poucos sabiam, mas Luciana é uma compositora de mão cheia e apresenta oito de suas músicas (Avena de Castro, Jonas Pereira da Silva, Sérgio Régis e o cunhado Cristóvão Bastos são os autores das outras quatro faixas).Luciana assina também a produção e está acompanhada, ainda, por Maurício Carrilho (violão de sete cordas), João Lyra (violão de seis cordas) e Cristóvão Bastos (piano). O time une-se novamente no segundo disco com selo Acari, "Leonardo Miranda Toca Joaquim Callado". O mulato Joaquim (Antônio da Silva) Callado (Júnior) nasceu em 1848 e morreu em 1888. É o primeiro grande chorão e, certamente, o primeiro a batizar assim suas peças. Seus choros cariocas (como os denominava) eram tocados por flauta, violão e cavaquinho, instrumentação mantida no disco - o primeiro, por incrível que pareça, inteiramente dedicado à sua obra. Foi, segundo registros, flautista prodigioso e, segundo Leonardo Miranda, o principal artífice da fusão das formas de salão européias com o batuque dos negros. "Sua música está na raiz de tudo que se caracterizou como música brasileira a partir de então", escreve Leonardo, no encarte do CD. Sua obra perdeu-se, praticamente toda. Ficaram para nosso tempo cerca de 70 partituras - entre elas a da polca "Flor Amorosa", única de suas peças que ainda é conhecida e gravada. As músicas do disco são quase todas inéditas. O terceiro lançamento Acari é "álvaro Carrilho". Irmão de Altamiro, pai de Maurício, álvaro é um flautista especial, de muita personalidade, e um compositor de choros, valsas, sambas, aos moldes clássicos, que são pequenas jóias. Estavam escondidas. Estão à mostra. Use-as. A página na Internet é www.acarirecords.com. O telefone é (0--21) 621-0991.

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