Roberto Reitenbach/DivulgaçãoAs atrizes Cristine Conde e Adriana Alegria estão no elendo da peça ‘‘Histórias de Viajantes’’ que estréia hojeTRÊS MULHERES VIAJANTES
Para chegar até o local do espetáculo, na sede do Grupo de Resistência de Teatro, platéia terá que pegar ônibus especial
Zeca Corrêa Leite
Por motivos dos mais variados, o homem acaba por se aprisionar numa ilha. Não vê os barcos, os bancos de areia ou o que quer que seja que o tire dali. Muitas vezes desloca-se de um continente a outro, mas a ilha está dentro de si; ele não sabe da sua liberdade intrínseca.
Este é o tema de ‘‘Histórias de Viajantes’’, que estréia hoje na sede do Grupo Resistência de Teatro, com o núcleo Projeto Experimental Resistência. A peça fala de três mulheres encerradas numa sala, que discutem entre si sobre seus sonhos, as possíveis realizações, os estranhamentos de uma para outra.
Presas entre as quatro paredes elas inventam jogos para vencer a prisão, a frustração, o desejo, a preguiça, o tédio. À medida que se conta histórias, coloca-se um pé no escapismo. Mas será este o expediente mais eficaz para vencer a situação?
‘‘O espetáculo é bem humorado e otimista’’, antecipa Cristine Conde, que atua ao lado de Adriana Alegria e Helenice Gusso. As três não só trabalham, como assinam o roteiro. Em meio ao texto foram colocadas inserções de obras de Voltaire, Beckett, Marina Colasanti e Eduardo Galeano. A preparação vocal é de Liane Guariente e direção de Cleide Piasecki.
Apesar de só ter mulher no espetáculo, Cristine afirma que ‘‘Histórias de Viajantes’’ não é uma filial do ‘‘Clube da Luluzinha’’. Ou seja, nada tem de feminista. ‘‘É um espetáculo feminino’’, explica. ‘‘A gente trata dos temas de uma forma mais delicada, mas essas inquietações não são exclusivas de um determinado sexo. Falamos de gente’’.
‘‘Histórias de Viajantes’’ será encenada na sede da companhia, no bairro do Bacacheri. Um ônibus transportará o público até o local, mas sem as janelas vedadas, como acontecia na montagem do Grupo Satyros que conduzia a platéia para ver ‘‘Maldoror’’. O espaço tem o número de espectadores da condução: 40 lugares. O ônibus sairá da Rua Comendador Macedo, 330, endereço da Companhia de Teatro Os Satyros.
Quando as atrizes criaram o núcleo dentro do Grupo Resistência de Teatro, a idéia era falar de viajantes, mesmo porque os 500 anos brasileiros estão aí, com as lembranças dos navegadores.
Aos poucos o trabalho tomou um rumo paralelo, que é o das viagens para dentro da alma, navegando em mares internos, muito mais profundos. A saída, porém, pode levar a lugares muito mais gratificantes que temporadas em regiões paradisíacas da terra, afirma a atriz.
Histórias de Viajantes, com Adriana Alegria, Cristine Conde e Helenice Gusso. Roteiro escrito pelo elenco. Supervisão de cleide Piazecki, preparação vocal de Liane Guariente. De 18 de junho a 7 de agosto, no Espaço do Grupo Resistência de Teatr (lotação de 40 espectadores). Ônibus sai defronte à sede da Companhia de Teatro Os Satyros (Rua Comendador Macedo, 330). Somente às sextas e sábados. O ônibus sai às 20h30. Retorno às 22 horas. Ingressos: R$ 5,00.

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